Joshua Benoliel: o fotógrafo da Guerra

Filho de pais britânicos, mas a residir em Portugal, Joshua Benoliel é já considerado o criador da reportagem fotográfica em Portugal. Fez registos dos reis D. Carlos ou D. Manuel II e das revoltas da I República e agora encontra-se na Flandres. Tem enviado fotografias para os jornais como O Século, Ilustração Portugueza ou Atlântida.

O intimismo e humanismo das suas fotografias em cenários de tensão ou sofrimento são um dos mais bem conseguidos reportórios fotográficos ilustrativos da I Grande Guerra. Os momentos de despedida dos militares portugueses das suas famílias são de grande emoção.

Adriano Sousa Lopes: Um pintor nas trincheiras

Nascido em Vidigal, no concelho de Leiria, o pintor vivia em Paris desde 1903, para onde fora estudar como pensionista do Estado no estrangeiro, e, desde Agosto de 1914, assiste à mobilização geral que a guerra provoca na sociedade francesa. Chega a voluntariar-se como enfermeiro nos hospitais militares da cidade, onde realiza apontamentos que grava a água-forte.

Mas o ano de 1917 é um momento-chave na carreira: a sua primeira exposição individual é um sucesso de crítica e de público, patente desde Janeiro na Sociedade Nacional de Belas-Artes, em Lisboa. O Presidente da República Bernardino Machado visita a exposição e adquire vários trabalhos. O jornal O Século chega a noticiar o roubo de um quadro durante a exposição, uma das inúmeras vistas pintadas em Veneza.

Trincheiras são ‘sepulturas em vida’

Oficial da 1ª do Corpo Expedicionário Português na I Guerra Mundial descreve a vida nas trincheiras lamacentas em França como “sepulturas em vida”.

As trincheiras são um “labirinto de valas lamacentas”, ligadas por postos que, à noite, se fecham com arames farpados, transformando-se “numa espécie de sepulturas em vida”, descreve o capitão António Joaquim Henriques, que integra a 1ª Divisão do Corpo Expedicionário Português na I Guerra Mundial.

O capitão embarcou aos 28 anos para França como alferes comandante de um pelotão do Regimento de infantaria n.º 28, da Figueira da Foz, e combate desde 26 de Fevereiro nas trincheiras francesas.

Uma das “rotinas” nas trincheiras é a saída para as patrulhas da noite, viagem “ultra tenebrosa em que tantas voltas se dá que a certa altura já não se sabe para que lado fica o inimigo”, explica.

O capitão recorda o dia 13 de Setembro de 1917 em que sete soldados se reuniram em grupo para comerem o seu rancho quando o inimigo resolveu bombardear.

Manifestação contra a Guerra em Mafra

Uma revolta anti‐guerrista no convento de Mafra apelou à adesão de outras unidades para derrubar o governo por este ser a favor da Guerra.

Um oficial de Mafra arrastou consigo parte da unidade de Mafra distribuindo armas a civis e barricando‐se nas instalações do convento. Em seguida, os revoltosos de Mafra acabaram por sair da vila em direcção a Torres Vedras, mas foram interceptados por uma força militar governamental que os disperçou depois de um tiroteio. No seguimento foram saqueados vários jornais da oposição ao Governo por grupos de civis armados.

Portugal alinha-se com a Grã-Bretanha

Perante os recentes acontecimentos do assassinato do herdeiro do trono austríaco, o arquiduque Francisco Fernando, e da sua esposa em Sarajevo, na Bósnia‐herzegovina, e da declaração de guerra pela Áustria à Sérvia, Portugal revelou hoje a sua posição de alinhamento total com a Grã‐Bretanha.

Freire de Andrade, Ministro dos Negócios Estrangeiros, escreve num telegrama para Teixeira Gomes (ministro de Portugal em Londres): “Eventualidade possível guerra muito desejo V. Exª veja Foreign Office sobre nossa atitude visto nossos direitos deveres resultantes tratados com Grã‐Bretanha e visto desde o começo podermos ser considerados pelos adversários como aliados Grã‐Bretanha. Convém obter, sendo possível, quaisquer declarações que possam guiar com segurança nosso procedimento”.

A 23 de novembro o Congresso português decide entrar na Guerra. Fotografia de Benoliel, um dos mais importantes fotógrafos portugueses, publicada na revista Ilustração Portuguesa.

A 23 de novembro o Congresso português decide entrar na Guerra. Fotografia de Benoliel, um dos mais importantes fotógrafos portugueses, publicada na revista Ilustração Portuguesa.

Desertor português foi fuzilado

O soldado português João Augusto Ferreira de Almeida foi fuzilado pelas forças portuguesas após ter sido acusado de traição por ter tentado fugir do campo de batalha, passando para terra de ninguém, para procurar um elemento das tropas inimigas alemãs.

João Almeida procurava encontrar-se com um alemão que teria sido seu antigo patrão, com quem tinha boas relações. O desertor ainda procurou comprar o silêncio dos camaradas portugueses para passar para campos inimigos, mas acabou por ser denunciado e posteriormente capturado pelos seus superiores.

Alguns relatos no local sugerem que quem motivou a condenação por fuzilamento não foram tanto os portugueses mas sim os britânicos que quiseram usar o soldado português para dar o exemplo às tropas inglesas e francesas no local.

Portugal sai derrotado da Batalha de La-Lys

Um dos maiores desastres militares portugueses aconteceu a 9 de abril de 1918, num confronto militar entre forças portuguesas e alemãs. Nesta batalha próxima da região da Flandres, Bélgica registaram-se cerca de 9000 perdas entre mortos, feridos e prisioneiros do Corpo Expedicionário Português (CEP).

O insucesso desta batalha que marcou negativamente a participação portuguesa na I Grande Guerra explica-se pela supremacia alemã em termos de número de militares e de tecnologia militar. Ao mesmo tempo a baixa moral do exército português fruto do retorno a terras lusas de alguns oficiais com experiência militar, deixou também a sua marca.

Paralelamente o retrocesso das tropas britânicas, que inicialmente iriam alinhar lado a lado com o CEP, deixou os militares lusitanos mais expostos perante a imponente ofensiva alemã.

O desfecho da batalha era já esperado pelos oficiais responsáveis pelo CEP, General Gomes da Costa e General Sinel de Cordes, tendo sido por várias vezes comunicado ao governo português o eventual resultado da batalha.

Aumento do preço da carne

A 10 de agosto de 1914, foi promulgado pelo Governo um decreto estabelecendo penalidades para os comerciantes que elevassem os preços dos géneros de primeira necessidade.

Será que o mercado acompanhou esta medida?

(Nota: Em período de Guerra, há variações na oferta e na procura.)

Preço em réis por kg.

Produção, importação e consumo de trigo

A produção agrícola nacional foi, durante a Guerra, manifestamente insuficiente para o abastecimento do país, vivendo-se de uma dependência da importação e por conseguinte de uma profunda dependência do exterior. Por outro lado, o trigo, sendo um alimento básico e de longa duração era muito procurado.

Os níveis de consumo aumentaram durante a Guerra? E a produção nacional, acompanhou a procura? Porque será que a importação diminuiu tanto?

Toneladas por ano.