Revolução Soviética afasta Rússia da Guerra

A Grande Guerra agravou as dificuldades económicas e as tensões sociais na Rússia. Este país fazia parte da Tríplice Entente e teve de suportar uma guerra devastadora contra a Alemanha na frente oriental.
As derrotas militares, a fome e as deserções de tropas (só em 1917 foram cerca de um milhão) criaram condições favoráveis para a revolução. Greves e manifestações populares exigiam o fim do czarismo e da guerra. O descontentamento era geral. A burguesia liberal estava desiludida com a incapacidade do czar Nicolau II e do seu governo. Os operários agitavam-se, influenciados pela propaganda socialista.

Soldados russos prisioneiros dos alemãs

Em 23 de fevereiro de 1917 iniciou-se uma grande insurreição em Sampetersburgo. O czar foi forçado a abdicar, formando-se um governo provisório, apoiado por liberais e socialistas moderados. A Rússia passou a ter um regime liberal parlamentar.
A guerra continuava fazendo crescer o descontentamento. Sovietes e bolcheviques contestavam o Governo Provisório, com estes últimos, inspirados no marxismo, a defenderem a tomada do poder pelos trabalhadores. Liderada por Lenine, a oposição ao Governo Provisório centrou-se na desastrosa situação a que a Guerra tinha conduzido a Rússia.

Lenine em plena revolução de outubro

Em 25 de outubro de 1917 os bolcheviques desencadearam uma insurreição armada e tomaram o poder. Foi a revolução de outubro, a primeira revolução sociealista triunfante.

A ditadura de Sidónio Pais

No período em que a participação de Portugal na I Guerra Mundial marcava a conjuntura política, económica e social do país, Sidónio Pais lidera um golpe militar que inaugura a “República Nova”. Suspende a Constituição de 1911, é eleito por sufrágio directo para a Presidência da República e cria um Senado profissional. O regime presidencialista de Sidónio Pais não sobreviveria à sua morte.

Sidónio Pais, Presidente da “República Nova”. Museu da Presidência da República

Por decreto de 17 de Agosto de 1912 é nomeado chefe de missão de 1.ª classe, Enviado extraordinário e Ministro plenipotenciário em Berlim, assumindo o cargo a 17 de Setembro. Enquanto representante de Portugal em Berlim esforça-se por credibilizar o novo regime junto do Governo alemão, ao mesmo tempo que tenta salvaguardar os interesses de Portugal em África, numa altura em que é conhecido o interesse germânico por Angola.

A eclosão da I Grande Guerra torna crítica a sua acção como diplomata e a entrada de Portugal no conflito faz com que tenha de regressar a Portugal. Sidónio é colocado na Secretaria do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Aí permanece até assumir a chefia do movimento revolucionário contra o governo “democrático”, que levaria a efeito a Revolução de Dezembro de 1917.

Em 5 de Dezembro de 1917 lidera a revolta militar triunfante, que se saldará na constituição de uma Junta Militar (a que preside), na dissolução do Parlamento, e na destituição do Presidente da República Bernardino Machado. A 11 de Dezembro é constituído um novo Governo chefiado por Sidónio Pais.

Em 28 de Abril, é eleito Presidente da República por sufrágio directo e universal. Candidato único, obtém 468 275 votos. As primeiras medidas da revolução sidonista têm como objectivo apaziguar a situação política.

Contudo, são vários os sinais do carácter ditatorial do novo regime: proibição da divulgação de manifestos, moções, representações e deliberações do Partido Democrático; encerramento de todos os centros políticos que ultrapassem os limites impostos à sua respectiva acção política e a proibição de publicações que incitem a população à desordem; dissolução de todas as câmaras municipais e juntas de freguesia (substituídas por comissões executivas nomeadas pelos Governadores Civis). Paralelamente as consequências da Guerra sentem-se cada vez mais profundamente.
A oposição liberal reage e organiza várias conspirações e insubordinações militares democráticas, que o Governo vai conseguindo dominar.

No dia 5 de Dezembro de 1918, durante as comemorações do golpe perpetrado por si, em 1917, Sidónio sofre o primeiro atentado mas sai ileso.

Poucos dias depois, a 14 de Dezembro de 1918, um novo atentado seria fatal.

Política de alianças na I Grande Guerra

​A participação de Portugal na 1ª Grande Guerra teve várias razões. Se, por um lado, a secular aliança que Portugal tinha com a Grã-Bretanha pesou na decisão de participar na guerra, por outro lado, uma outra razão centrou-se na grave dependência que Portugal tinha do nosso velho aliado. O Ultimato de 1890 viera melindrar o orgulho nacional e pôr em evidência a debilidade nacional, marcando o fim do sonho português da criação em África de “novos «Brasis» africanos”. Era necessário recuperar o ânimo nacional e para isso era preciso estar, no fim da guerra, sentado à mesa dos vencedores.


Nas vésperas de eclodir a guerra, a Grã-Bretanha era o principal parceiro comercial de Portugal (a Alemanha ocupava o segundo lugar, à frente do Brasil). A nossa dependência da Coroa britânica, datava, pelo menos, das invasões napoleónicas. Portugal dependia da marinha mercante britânica, dos banqueiros britânicos, das firmas britânicas que geriam os transportes públicos de Lisboa, os telégrafos, os telefones, o gás da cidade, etc. O Portugal republicano vivia uma profunda crise económica além de sofrer permanentes conspirações monárquicas.

Dada a aliança que tínhamos com a Inglaterra não equacionávamos uma vitória da Alemanha; porém, se ela acontecesse, pensava-se, poderíamos cair na dependência dela e, provavelmente, mais cedo ou mais tarde, ficar sem as colónias. Por outro lado, se Portugal figurasse ao lado dos aliados vencedores, embora com o peso de uma pequena potência, teria uma posição fortalecida na defesa dos seus interesses. Não participar na guerra significaria ficar na dependência total de quem a ganhasse. Tentar sair na medida do possível da dependência britânica fortaleceria a independência nacional e protegeria o Ultramar português de ataques externos.​

 

Divergências políticas perante a Guerra

A 5 de agosto de 1914 toda a Europa estava em Guerra. No dia 2 desse mês, em Portugal começaram-se a fazer sentir os efeitos psicológicos da guerra: a moeda de prata desapareceu de circulação, as mercadorias subiram de preço e deu-se uma corrida aos bancos para levantar o dinheiro.
A par do pânico da população, o Governo não sabia o que fazer. Com o eclodir da guerra, as possessões portuguesas em África ficavam, novamente, à mercê das ambições da Alemanha.

Reunião do Congresso que autorizou a entrada de Portugal na guerra, a 23 de Novembro, fotografia de Benoliel, Ilustração Portuguesa de 30 de Novembro de 1914

A 25 de agosto de 1914, os militares alemães fizeram uma incursão ao Norte de Moçambique. Em 11 de setembro, Portugal envia a primeira expedição militar para as colónias. No final de 1914, Portugal estava em guerra não declarada com a Alemanha no Sul de Angola e no Norte de Moçambique.
Contudo, a declaração de guerra era previsível. Começam aqui as divisões na união política nacional. As opiniões acerca da entrada de Portugal no conflito dividiam-se cada vez mais.

Por um lado, surgem os evolucionistas de António José de Almeida, indecisos, embora a partir de 1916 partilhassem as responsabilidades de Portugal entrar na guerra. As suas ideias guiavam-se no sentido de acompanhar a Inglaterra; por outro lado, surge Brito Camacho que se opôs à intervenção de Portugal. Chefe dos unionistas, defendia, porém, o reforço militar nas colónias e o facto de Portugal se pôr ao lado da Inglaterra que era aliada, prestando-lhe todo o auxílio que ela pedisse, desde que Portugal pudesse dar-lho. Adotava, assim, uma política de neutralidade.
Afonso Costa, por seu lado, defendia a intervenção militar de Portugal ao lado da Inglaterra, isto é, a intervenção portuguesa estava condicionada pela prévia invocação por parte da Inglaterra das condições da aliança com Portugal.

A 23 de novembro, o Congresso reuniu extraordinariamente por ordem de Bernardino Machado, para obter autorização para intervir no confronto, quando e como achar necessário, como nação livre e aliada da Inglaterra.

Política externa portuguesa

O assassinato do arquiduque Francisco Fernando em 28 de junho de 1914 precipita a declaração de guerra da Áustria-Hungria à Sérvia, que rapidamente tem o apoio da Alemanha. Como se desenvolvem as relações políticas entre Portugal e a Grã-Bretanha? E em relação às colónias?

1 de Agosto A Alemanha declara a guerra à Rússia.  A França ordena a mobilização geral dos exércitos.

3 de Agosto A Alemanha declara a guerra à França, e invade o Luxemburgo e a Bélgica. O governo britânico entrega uma carta ao embaixador de Portugal em Londres, instando junto do «Governo português para se abster, por agora, de publicar qualquer declaração de neutralidade». Uma multidão junta-se à porta do Banco de Portugal, para trocar as notas por metal, provocando uma crise financeira temporária. O montante das trocas diárias vai diminuindo ao longo dos dias seguintes.

4 de Agosto A Grã-Bretanha declara a guerra à Alemanha, devido à violação do Tratado de 1831 que declarava a Bélgica território neutral perpetuamente. O governo britânico informa oficialmente o governo português, por intermédio do seu embaixador em Lisboa, que «em caso de ataque da Alemanha contra qualquer possessão portuguesa, o Governo de Sua Majestade considerar-se-á ligado por estipulações da aliança anglo-portuguesa».

7 de Agosto Devido ao deflagrar da 1.ª Guerra Mundial, o Congresso da República, reunido extraordinariamente aprova um documento de intenções sobre a condução da política externa. Afirma-se que Portugal não faltaria aos seus compromissos internacionais, sobretudo no que diz respeito à Aliança Luso-Britânica. 12 de Agosto É decidida a organização de uma expedição militar com destino a Angola e a Moçambique. É assinado o Tratado de Comércio e Navegação Luso-Britânico. A França e a Grã-Bretanha declaram a guerra à Áustria-Hungria. O Japão declara a guerra à Alemanha. 11 de Setembro Partida de Lisboa de uma expedição militar, comandada pelo tenente-coronel Alves Roçadas, com destino a Angola.

Portugal é autorizado a participar na guerra

Em reunião extraordinária do Congresso da República o governo é autorizado a participar na guerra ao lado da Grã-Bretanha.

Aconteceu o que muitos desejavam e outros temiam. Em nome da velha Aliança que une Portugal à Grã-Bretanha o Congresso reuniu-se e deliberou que Portugal pode participar na Guerra. É assumido, desde logo, o compromisso de entregar 20.000 espingardas com 600 cartuchos cada uma e 56 peças de artilharia pedidas pelo governo britânico.

Uma vez que estamos no final do ano, aguardam-se as novidades que 1916 trarão sobre o envolvimento de Portugal.