No período em que a participação de Portugal na I Guerra Mundial marcava a conjuntura política, económica e social do país, Sidónio Pais lidera um golpe militar que inaugura a “República Nova”. Suspende a Constituição de 1911, é eleito por sufrágio directo para a Presidência da República e cria um Senado profissional. O regime presidencialista de Sidónio Pais não sobreviveria à sua morte.

Sidónio Pais, Presidente da “República Nova”. Museu da Presidência da República
Por decreto de 17 de Agosto de 1912 é nomeado chefe de missão de 1.ª classe, Enviado extraordinário e Ministro plenipotenciário em Berlim, assumindo o cargo a 17 de Setembro. Enquanto representante de Portugal em Berlim esforça-se por credibilizar o novo regime junto do Governo alemão, ao mesmo tempo que tenta salvaguardar os interesses de Portugal em África, numa altura em que é conhecido o interesse germânico por Angola.
A eclosão da I Grande Guerra torna crítica a sua acção como diplomata e a entrada de Portugal no conflito faz com que tenha de regressar a Portugal. Sidónio é colocado na Secretaria do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Aí permanece até assumir a chefia do movimento revolucionário contra o governo “democrático”, que levaria a efeito a Revolução de Dezembro de 1917.
Em 5 de Dezembro de 1917 lidera a revolta militar triunfante, que se saldará na constituição de uma Junta Militar (a que preside), na dissolução do Parlamento, e na destituição do Presidente da República Bernardino Machado. A 11 de Dezembro é constituído um novo Governo chefiado por Sidónio Pais.
Em 28 de Abril, é eleito Presidente da República por sufrágio directo e universal. Candidato único, obtém 468 275 votos. As primeiras medidas da revolução sidonista têm como objectivo apaziguar a situação política.
Contudo, são vários os sinais do carácter ditatorial do novo regime: proibição da divulgação de manifestos, moções, representações e deliberações do Partido Democrático; encerramento de todos os centros políticos que ultrapassem os limites impostos à sua respectiva acção política e a proibição de publicações que incitem a população à desordem; dissolução de todas as câmaras municipais e juntas de freguesia (substituídas por comissões executivas nomeadas pelos Governadores Civis). Paralelamente as consequências da Guerra sentem-se cada vez mais profundamente.
A oposição liberal reage e organiza várias conspirações e insubordinações militares democráticas, que o Governo vai conseguindo dominar.
No dia 5 de Dezembro de 1918, durante as comemorações do golpe perpetrado por si, em 1917, Sidónio sofre o primeiro atentado mas sai ileso.
Poucos dias depois, a 14 de Dezembro de 1918, um novo atentado seria fatal.