Divergências políticas perante a Guerra

A 5 de agosto de 1914 toda a Europa estava em Guerra. No dia 2 desse mês, em Portugal começaram-se a fazer sentir os efeitos psicológicos da guerra: a moeda de prata desapareceu de circulação, as mercadorias subiram de preço e deu-se uma corrida aos bancos para levantar o dinheiro.
A par do pânico da população, o Governo não sabia o que fazer. Com o eclodir da guerra, as possessões portuguesas em África ficavam, novamente, à mercê das ambições da Alemanha.

Reunião do Congresso que autorizou a entrada de Portugal na guerra, a 23 de Novembro, fotografia de Benoliel, Ilustração Portuguesa de 30 de Novembro de 1914

A 25 de agosto de 1914, os militares alemães fizeram uma incursão ao Norte de Moçambique. Em 11 de setembro, Portugal envia a primeira expedição militar para as colónias. No final de 1914, Portugal estava em guerra não declarada com a Alemanha no Sul de Angola e no Norte de Moçambique.
Contudo, a declaração de guerra era previsível. Começam aqui as divisões na união política nacional. As opiniões acerca da entrada de Portugal no conflito dividiam-se cada vez mais.

Por um lado, surgem os evolucionistas de António José de Almeida, indecisos, embora a partir de 1916 partilhassem as responsabilidades de Portugal entrar na guerra. As suas ideias guiavam-se no sentido de acompanhar a Inglaterra; por outro lado, surge Brito Camacho que se opôs à intervenção de Portugal. Chefe dos unionistas, defendia, porém, o reforço militar nas colónias e o facto de Portugal se pôr ao lado da Inglaterra que era aliada, prestando-lhe todo o auxílio que ela pedisse, desde que Portugal pudesse dar-lho. Adotava, assim, uma política de neutralidade.
Afonso Costa, por seu lado, defendia a intervenção militar de Portugal ao lado da Inglaterra, isto é, a intervenção portuguesa estava condicionada pela prévia invocação por parte da Inglaterra das condições da aliança com Portugal.

A 23 de novembro, o Congresso reuniu extraordinariamente por ordem de Bernardino Machado, para obter autorização para intervir no confronto, quando e como achar necessário, como nação livre e aliada da Inglaterra.