Política de alianças na I Grande Guerra

​A participação de Portugal na 1ª Grande Guerra teve várias razões. Se, por um lado, a secular aliança que Portugal tinha com a Grã-Bretanha pesou na decisão de participar na guerra, por outro lado, uma outra razão centrou-se na grave dependência que Portugal tinha do nosso velho aliado. O Ultimato de 1890 viera melindrar o orgulho nacional e pôr em evidência a debilidade nacional, marcando o fim do sonho português da criação em África de “novos «Brasis» africanos”. Era necessário recuperar o ânimo nacional e para isso era preciso estar, no fim da guerra, sentado à mesa dos vencedores.


Nas vésperas de eclodir a guerra, a Grã-Bretanha era o principal parceiro comercial de Portugal (a Alemanha ocupava o segundo lugar, à frente do Brasil). A nossa dependência da Coroa britânica, datava, pelo menos, das invasões napoleónicas. Portugal dependia da marinha mercante britânica, dos banqueiros britânicos, das firmas britânicas que geriam os transportes públicos de Lisboa, os telégrafos, os telefones, o gás da cidade, etc. O Portugal republicano vivia uma profunda crise económica além de sofrer permanentes conspirações monárquicas.

Dada a aliança que tínhamos com a Inglaterra não equacionávamos uma vitória da Alemanha; porém, se ela acontecesse, pensava-se, poderíamos cair na dependência dela e, provavelmente, mais cedo ou mais tarde, ficar sem as colónias. Por outro lado, se Portugal figurasse ao lado dos aliados vencedores, embora com o peso de uma pequena potência, teria uma posição fortalecida na defesa dos seus interesses. Não participar na guerra significaria ficar na dependência total de quem a ganhasse. Tentar sair na medida do possível da dependência britânica fortaleceria a independência nacional e protegeria o Ultramar português de ataques externos.​