Animais desempenham papel na guerra

Apesar de, por vezes, esquecidos, os animais desempenharam um importante papel na I Guerra Mundial. Transportavam mensagens, cargas e armas. Auxiliavam na construção de estruturas de suporte. Foram companheiros em momentos de solidão e medo, nas trincheiras.

Um cão, conhecido por Sargento Stubby, foi aliás condecorado aquando deste conflito. Foi, inicialmente, a mascote de uma divisão de infantaria. Habituado às linhas da frente, este Boston Bull Terrier alertou soldados em ataques com gás, encontrou soldados feridos e chegou mesmo a capturar um espião alemão.

Houve outros animais que se destacaram. Disso são exemplo os cavalos que, além de terem sido essenciais nos transportes de mercadorias e armamentos, estiveram em pleno combate. Por sua vez, os gatos faziam companhia aos soldados e matavam os ratos que andavam pelas trincheiras. Também os pombos tiveram um papel muito importante, pois transportavam câmaras que registavam pormenores essenciais à tomada de decisões por parte dos generais.

“Damas enfermeiras” apoiaram soldados portugueses em Flandres

Com a entrada de Portugal na 1.ª Guerra Mundial, muitas mulheres portuguesas saíram do país para cuidar dos soldados portugueses. Conhecidas por “Damas Enfermeiras” foram consideradas heroínas, pela disponibilidade que demonstraram.

Em 1916, altura em que o papel da mulher se restringia às tarefas domésticas, muitas portuguesas da alta sociedade quiseram ser enfermeiras voluntárias, tendo por isso sido testemunhas do conflito armado. Maria Francisca Machado, filha do então presidente da República Bernardino Machado, foi “Dama Enfermeira”, tendo servido nos hospitais de campanha do Corpo Expedicionário Português, em Flandres.

Na sequência do apoio das “Damas Enfermeiras” em França, o Governo português criou, em 1918, as escolas de enfermagem de Lisboa e Porto.

Um em cada seis soldados britânicos era indiano

No âmbito das comemorações do I Centenário da I Guerra Mundial muitos historiadores se têm debruçado sobre inúmeros aspectos da Guerra nunca antes estudados.

Recentemente, estudos têm-se dedicado a avaliar a participação de povos não europeus na Guerra. Uma das conclusões a que se chegou foi que cerca de 1,5 milhões de indianos se voluntariaram para participar na Guerra.

Em concreto, na Grã-Bretanha, um em cada seis soldados era indiano e Sikh, uma religião monoteísta. A exposição Empire, Faith & War: The Sikhs and World War One patente na School of Oriental and African Studies in London no ano passado, demonstrou a forte presença desses homens na Guerra.

Tratados de Paz da I Guerra Mundial

Durante o desenrolar das batalhas nos últimos anos da I Guerra Mundial, alguns tratados de paz foram sendo assinados para possibilitar a saída de alguns países do conflito. O primeiro a ser assinado foi o Tratado de Brest-Litovsk, em 3 de março de 1918, que recebeu o nome da cidade em que foi assinado. O novo governo bolchevique, que havia fundado a República Soviética Russa, entrava em acordo com a Alemanha, encerrando o conflito entre os dois países. No tratado, os russos perderam regiões fornecedoras de carvão e petróleo, além de vários outros territórios na região ocidental, como a Ucrânia e a Finlândia.

A guerra duraria ainda mais alguns meses, terminando a 11 de novembro de 1918, com o cessar-fogo. A Alemanha viu-se sem saída perante as derrotas que o seu exército vinha sofrendo. A partir daí, iniciaram-se as negociações para o estabelecimento da paz entre os países beligerantes.

A primeira tentativa para se chegar a um acordo ocorreu com a iniciativa do governo dos EUA, através da proposta do plano de paz do presidente Woodrow Wilson. Neste plano, chamado de Os 14 pontos de Wilson, os alemães deveriam retirar-se dos territórios ocupados e criariam ainda a Liga das Nações, destinada a impedir novas guerras. Este tratado, aceite pelos alemães, previa uma “paz sem vencedores”.

Mas este não era o objetivo dos demais países da Entente, principalmente a Inglaterra e a França. Reunidos em Versalhes, nos arredores de Paris. Entre janeiro e junho de 1919, os representantes dos países vencedores negociavam as condições do pós-guerra. Inglaterra e França não aceitaram os termos propostos pelo presidente dos EUA para a paz, exigindo que a Alemanha indemnizasse os restantes países pelos danos causados.

O Tratado de Versalhes considerou a Alemanha culpada pela guerra e impôs duras condições para a manutenção da paz. Os alemães deveriam pagar uma indemnização de 30 bilhões de dólares; renunciar às colónias marítimas; ceder à França a região da Alsácia-Lorena, região de grande quantidade de recursos energéticos; reconhecer a independência da Polónia; não poderiam reestruturar as suas Forças Armadas, limitando o seu exército a 100 mil homens, perdendo ainda sua artilharia e aviação, além de não poderem construir navios de guerra. Além disso, o Tratado de Versalhes previa ainda a formação da Liga das Nações, cuja função era a de ser um árbitro dos conflitos internacionais com o objetivo de evitar novas guerras. O projeto não obteve sucesso, pois não contou com importantes países do cenário mundial, como Rússia, EUA e a própria Alemanha.