Portugal vive momentos de tensão

Apesar de não participar diretamente na Guerra, Portugal vive momentos de forte tensão política e revolta social.

Não tem reunido consenso a entrada de Portugal na Guerra mas a verdade é que as consequências do conflito que se desenvolve na Europa têm afetado muito o país. Depois de grupos tumultuosos terem assaltado armazéns e padarias à procura de alimentos, no dia 10 de maio ocorreram em Lisboa grandes manifestações republicanas que culminaram na demissão do governo ditatorial de Pimenta de Castro.

Portugal lidera na produção de conservas

A Guerra impôs novas necessidades de mercado, favorecendo o desenvolvimento da indústria conserveira, que passou a ocupar o segundo lugar nas exportações nacionais.

A indústria conserveira tem, assim, conhecido um franco período de desenvolvimento uma vez que os alimentos enlatados duram mais tempo.

Devido à enorme costa portuguesa os peixes são os principais alimentos conservados. A proveniência é sobretudo do Algarve.

Surto de pneumónica

Na primavera de 1918 o surto de pneumónica, também conhecida por gripe espanhola matou em média nos meses de junho e de julho, 400 pessoas por dia, só na cidade de Lisboa. Em Portugal causou cerca de 60 mil mortos.

Paquete vítima de uma epidemia pneumónica, na viagem de Moçambique para Lisboa, a 20 de outubro.

Os primeiros casos conhecidos da gripe na Europa ocorreram em Abril de 1918 com tropas francesas, britânicas e americanas, estacionadas nos portos de embarque na França mas rapidamente se propagou por toda a Europa.
Uma das suas vítimas foi o pintor Amadeo de Souza-Cardoso que faleceu em Espinho com apenas 30 anos.

Portugal participa em grande evento desportivo

A 7 de julho de 1918, quando a 2ª divisão de combate se encontrava praticamente aniquilada na sequência da batalha de La Lys, e com a 1ª Divisão desfalcada de homens, as tropas portuguesas participaram no evento desportivo em Colombes, organizado pela Union des Sociétés Française de Sports Athlétiques.

Do programa faziam parte corridas de resistência, saltos em extensão e altura (com e sem impulso), lançamento de peso, corridas de velocidade, combates com baioneta, corridas de estafetas, saltos à vara, lançamento de granadas e de disco.

Ciclismo e a Guerra

Coincidiu com o assassinato de Francisco Fernando o arranque da 12ª edição do Tour de France, uma das maiores provas de ciclismo. Nesse ano a competição acabou por ser suspensa regressando apenas em 1919.
Também em Portugal, onde este desporto vinha ganhando cada vez mais destaque, as competições foram interrompidas. A mais importante, a Clássica Porto-Lisboa, realizou-se pela primeira vez em 1911 mas também veio a ser interrompida. Alguns dos desportistas vieram a integrar o Grupo de Companhias de Ciclistas do Corpo Expedicionário Português (CEP).

Economia em tempo de Guerra

Em 1914 Portugal vivia um cenário de miséria social em tudo semelhante ao experimentado antes do conflito, agravado, é certo, pelas dificuldades de abastecimento de alguns produtos base da alimentação das classes mais pobres, como os cereais e o bacalhau, mas no essencial, a maioria da população continuava a retirar o seu sustento da terra, sem depender da importação, o que acabaria por impedir, numa primeira fase, que a economia interna fosse tão afectada pela conjuntura internacional como o seria a posição financeira do País.

A conjuntura de Guerra não permitiu à agricultura inverter a queda de grande parte das suas produções, acentuando uma tendência que há muito se vinha verificando. O sector foi globalmente afectado não só pelas dificuldades de acesso a determinados factores de produção (sementes, adubos), mas também pelo retraimento da exportação de alguns produtos base da economia agrícola, nomeadamente o vinho do Porto, e por uma conjuntura climatérica pouco favorável. Por outro lado, algumas medidas adoptadas, nomeadamente o tabelamento de preços e a obrigatoriedade do manifesto das produções, acabaram por ter também reflexos negativos, gerando o descontentamento nos meios agrários. Na verdade, seria a indústria portuguesa, onde a intervenção do Estado só timidamente se fez sentir, quem acabou por tirar partido da conjuntura.

Ana Paula Pires, A República e a economia de guerra, Lisboa, Caleidoscópio, 2011

Impacto económico da Guerra

Em 1916, um operário em Portugal recebia apenas 6,3 centavos por dia.

Em 1918, um litro de leite custava em média 18% do salário diário de um trabalhador. Uma dúzia de ovos 60%

Em 1919, a verba do salário duplicaria.

Quais os efeitos desta realidade no poder de compra e qualidade de vida dos portugueses?

Lisboetas aguardam a abertura de Armazém Regulador de Preços em 1918

Géneros alimentícios que, em 1914 e em 1922, um carpinteiro podia comprar com o salário de um dia, caso o gastasse exclusivamente em alimentação

Desfile da Vitória

Em Paris, um contingente de 150 soldados do Corpo Expedicionário Português, integrado nas forças aliadas do marechal Foch, desfilou na Place de L’Etoile sob o comando do Major de Infantaria Ribeiro de Carvalho.
Em Portugal, na Avenida da Liberdade, junto ao Condes, a multidão assistiu também ao Desfile da Vitória.

Em Bruxelas um contingente do Corpo Expedicionário Português, integrado no desfile das forças aliadas sob o comando do Major de Infantaria André Brun, comemoru também o fim da Guerra. A este histórico evento, assistiram na Tribuna de Honra, o Rei Alberto da Bélgica e o Rei D. Manuel II (no exílio), entre outras entidades.

Combate de Negomano

A 25 de novembro de 1917 os alemães surpreenderam as forças portuguesas em Negomano, provocando um verdadeiro massacre.
Morreram 5 oficiais e 14 soldados europeus, assim como 208 soldados africanos, ficando feridos mais de 70, e prisioneiros 550 homens, entre os quais se contavam 31 oficiais que foram libertados posteriormente.
Os alemães comandados pelo General von Lettow-Vorbeck, apresentavam uma força militar de 2.000 homens (300 europeus e 1.700 askaris, isto é, tropas da África oriental e Oriente Médio) e o Major Teixeira Pinto apresentava uma força militar de 1.000 homens (100 europeus e 900 landins, isto é, indígenas moçambicanos).
Esta pesada derrota marcou a mudança na investida militar dos portugueses em África.