Portugal participa em grande evento desportivo

A 7 de julho de 1918, quando a 2ª divisão de combate se encontrava praticamente aniquilada na sequência da batalha de La Lys, e com a 1ª Divisão desfalcada de homens, as tropas portuguesas participaram no evento desportivo em Colombes, organizado pela Union des Sociétés Française de Sports Athlétiques.

Do programa faziam parte corridas de resistência, saltos em extensão e altura (com e sem impulso), lançamento de peso, corridas de velocidade, combates com baioneta, corridas de estafetas, saltos à vara, lançamento de granadas e de disco.

Ciclismo e a Guerra

Coincidiu com o assassinato de Francisco Fernando o arranque da 12ª edição do Tour de France, uma das maiores provas de ciclismo. Nesse ano a competição acabou por ser suspensa regressando apenas em 1919.
Também em Portugal, onde este desporto vinha ganhando cada vez mais destaque, as competições foram interrompidas. A mais importante, a Clássica Porto-Lisboa, realizou-se pela primeira vez em 1911 mas também veio a ser interrompida. Alguns dos desportistas vieram a integrar o Grupo de Companhias de Ciclistas do Corpo Expedicionário Português (CEP).

Futebol feminino na Guerra

A I Guerra Mundial foi a chave para o crescimento do futebol feminino em Inglaterra. Como muitos homens foram para o campo de batalha, a mulher entrou no mercado de trabalho e eram muitas fábricas que tinham as suas próprias equipas de futebol, algo que até então era privilégio dos homens.

O futebol serviu, assim, para quebrar barreiras sociais e se as mulheres passavam a ocupar cada vez mais os lugares dos homens nas indústrias. A produção de itens bélicos essenciais intensificou-se a partir de 1914, graças à força das mulheres que participavam na produção de munições, equipamentos de guerra, navios, roupas especiais e mantimentos. Da mesma forma como foram absorvidas por trabalhos praticamente exclusivos aos homens, também puderam experimentar um desporto até então masculino.

O grande salto do futebol feminino aconteceu em 1917. Naquele ano, nasceu a Challenge Cup, conhecida também como Munitionettes’ Cup, por envolver as trabalhadoras da indústria de munições. Nete jogo, 22 mil pessoas assistiram à vitória do Blyth Spartans sobre o Teeside por 5 a 0, um jogo realizado no Ayresome Park, o estádio do Middlesbrough. Entre as estrelas da equipa estavam Bella Reay, marcadora de mais de 130 golos naquela campanha, e Jennie Morgan, que foi diretamente do seu casamento para um jogo onde marcou dois golos.

Jogos Olímpicos de 1916 cancelados

A organização dos VI Jogos Olímpicos, em 1916, foi atribuída à cidade alemã de Berlim para demonstrar o poderio do império alemão liderado pelo Kaiser Guilherme II. Todavia, o quadriénio olímpico não pôde ser respeitado devido ao eclodir da Primeira Guerra Mundial, que envolveu 28 países, obrigando à anulação dos Jogos marcados para Berlim.

Apesar disso, foi possível reunir na Sorbonne, em Paris, os representantes dos países beligerantes e celebrar, olimpicamente, o vigésimo aniversário do Comité Olímpico Internacional, até porque se antevia uma guerra de curta duração. O prolongar do conflito obrigou ao cancelamento dos Jogos, apesar de Guilherme II ter tentado, em vão, uma trégua olímpica que permitisse a realização do evento em duas semanas.

E assim, o então recentemente inaugurado estádio de Berlim deu lugar às trincheiras da guerra. Mesmo sem se terem concretizado, as Olimpíadas de 1916 fazem parte da listagem oficial dos Jogos Olímpicos, que continuam a ser regulados por um ciclo de quatro anos entre cada edição. Dois anos depois do fim da Primeira Grande Guerra, o ciclo olímpico foi retomado com a organização dos VII Jogos Olímpicos da Era Moderna na cidade belga de Antuérpia e para os quais não foram convidadas a Alemanha e a Áustria, nações derrotadas pelos Aliados.

Jogos Inter-Aliados celebram o fim da guerra

Os Jogos Inter-aliados, também chamados de ‘Olimpíadas Pershing’, foram realizados em 1919, em Joinville, nos subúrbios de Paris, entre 22 de junho e 6 de julho.

Este evento desportivo foi organizado sob o comando do General John J. Pershing, comandante das forças norte-americanas na Europa, após dois meses do final da I Guerra Mundial. Dirigido aos militares que tinham participado na Guerra ou que tinham servido as forças militares dos países aliados, foram dezoito as nações que aceitaram participar. Oriundos dos cinco continentes estiveram em prova cerca de 1500 atletas que competiram em 24 modalidades, durante 15 dias. De acordo com relatório oficial do comité organizador dos jogos, Portugal participou com 51 atletas nas modalidades de esgrima, natação, pólo-aquático, remo e tiro.

Entrega de medalhas aos soldados participantes

Na Cerimónia de Abertura, realizada no Estadio Pershing, onde mais de vinte mil espectadores estiveram presentes, as delegações desfilaram frente à tribuna onde os presidentes Woodrow Wilson, dos Estados Unidos da América e Raymond Poincaré, de França, se encontravam. A imprensa da época destacou as ausências da delegação portuguesa e da bandeira nacional. Os resultados alcançados na modalidade de esgrima foram os que mais se destacaram: 2º lugar, medalhas de prata nas competições por equipas, em Espada e em Sabre e na vertente individual, em Espada, conquistada pelo Tenente Jorge Paiva.

No final dos Jogos Inter-Aliados de 1919, o Estádio Pershing foi oferecido ao povo francês pelos Estados Unidos da América sendo ainda hoje utilizado como uma área de recreação ao ar livre.

Futebol em missão de Guerra

[Futebol em missão de guerra]: [a demanda da vitória], Lisboa, [1916], Biblioteca Nacional Digital

Possivelmente este cartaz foi feito no contexto da entrada de Portugal na I Guerra Mundial, sendo muito provável que tenha sido produzido para assinalar o acolhimento da Missão naval inglesa que veio a Portugal em Maio de 1916 para tratar dos moldes da participação do Corpo Expedicionário Português no teatro de guerra.

Em grande plano, sobre círculo limitando relvado onde correm dois jogadores sob céu vermelho (sanguíneo) com nuvens ao fundo, jogador de futebol, equipado com camisola branca listada de verde, apresentando ligadura num joelho e luva correctora numa mão, prepara-se para chutar a bola; em 2º plano, soldados e marinheiros, em formatura frente a frente, junto à costa onde se avista um navio de guerra e balsas de desembarque carregadas de passageiros.

Jogadores de futebol também foram à Guerra

Durante a I Guerra Mundial, o exército britânico criou batalhões compostos por futebolistas profissionais. Os desportistas seriam os homens fisicamente mais aptos da nação e teriam obrigatoriamente de se juntar ao esforço de guerra.

Muitos futebolistas trocaram o campo de futebol pelo campo de batalha e integraram os chamados Batalhões de Futebol do exército britânico. Além de fisicamente melhor preparados e, por isso, mais aptos para o confronto, a incorporação de jogadores de futebol servia também de ferramenta de propaganda e recrutamento, uma vez que seriam seguidos como um exemplo e arrastariam os adeptos dos clubes onde jogavam para o campo de batalha. “Venham ao jogo mais importante, juntem-se ao Batalhão do Futebol”, exortava um cartaz de recrutamento.

Terão morrido 213 futebolistas profissionais ingleses durante o conflito.

Tropas inimigas disputam jogo de futebol em período de tréguas

De acordo com o New York Times de 31 de dezembro de 1914, o primeiro Natal após início da Primeira Grande Guerra ficou marcado por um acontecimento no mínimo insólito. Em “No Man’s Lands” ou “Terras de Ninguém”, (denominação dada à região de Ypres, Bélgica) tropas inimigas conviveram amigavelmente,  na véspera de Natal de 1914.

O convívio foi para além de algumas inesperadas partidas de futebol, uma vez que para além disso se trocaram alimentos, presentes e se entoaram cânticos de natal. Um momento simbólico que refletiu paz e humanidade no meio de um dos acontecimentos mais mortíferos de sempre.

Os acontecimentos da trégua só agora podem ser relatados devido à censura de imprensa que está em vigor em alguns dos países em guerra. O silêncio foi então quebrado pelo New York Times a 31 de dezembro, seguido pelos jornais britânicos. A 8 de janeiro, foram publicados os primeiros registos fotográficos do episódio pelo jornal The Daily Mirror que divulgou na primeira página fotos de soldados britânicos e alemães a confraternizar numa partida de futebol.