Economia em tempo de Guerra

Em 1914 Portugal vivia um cenário de miséria social em tudo semelhante ao experimentado antes do conflito, agravado, é certo, pelas dificuldades de abastecimento de alguns produtos base da alimentação das classes mais pobres, como os cereais e o bacalhau, mas no essencial, a maioria da população continuava a retirar o seu sustento da terra, sem depender da importação, o que acabaria por impedir, numa primeira fase, que a economia interna fosse tão afectada pela conjuntura internacional como o seria a posição financeira do País.

A conjuntura de Guerra não permitiu à agricultura inverter a queda de grande parte das suas produções, acentuando uma tendência que há muito se vinha verificando. O sector foi globalmente afectado não só pelas dificuldades de acesso a determinados factores de produção (sementes, adubos), mas também pelo retraimento da exportação de alguns produtos base da economia agrícola, nomeadamente o vinho do Porto, e por uma conjuntura climatérica pouco favorável. Por outro lado, algumas medidas adoptadas, nomeadamente o tabelamento de preços e a obrigatoriedade do manifesto das produções, acabaram por ter também reflexos negativos, gerando o descontentamento nos meios agrários. Na verdade, seria a indústria portuguesa, onde a intervenção do Estado só timidamente se fez sentir, quem acabou por tirar partido da conjuntura.

Ana Paula Pires, A República e a economia de guerra, Lisboa, Caleidoscópio, 2011

Impacto económico da Guerra

Em 1916, um operário em Portugal recebia apenas 6,3 centavos por dia.

Em 1918, um litro de leite custava em média 18% do salário diário de um trabalhador. Uma dúzia de ovos 60%

Em 1919, a verba do salário duplicaria.

Quais os efeitos desta realidade no poder de compra e qualidade de vida dos portugueses?

Lisboetas aguardam a abertura de Armazém Regulador de Preços em 1918

Géneros alimentícios que, em 1914 e em 1922, um carpinteiro podia comprar com o salário de um dia, caso o gastasse exclusivamente em alimentação

Aumento do preço da carne

A 10 de agosto de 1914, foi promulgado pelo Governo um decreto estabelecendo penalidades para os comerciantes que elevassem os preços dos géneros de primeira necessidade.

Será que o mercado acompanhou esta medida?

(Nota: Em período de Guerra, há variações na oferta e na procura.)

Preço em réis por kg.

Produção, importação e consumo de trigo

A produção agrícola nacional foi, durante a Guerra, manifestamente insuficiente para o abastecimento do país, vivendo-se de uma dependência da importação e por conseguinte de uma profunda dependência do exterior. Por outro lado, o trigo, sendo um alimento básico e de longa duração era muito procurado.

Os níveis de consumo aumentaram durante a Guerra? E a produção nacional, acompanhou a procura? Porque será que a importação diminuiu tanto?

Toneladas por ano.

Portugal lidera na produção de conservas

Portugal era, nas vésperas da guerra, o primeiro produtor mundial de conservas, e 55% do total da produção nacional de conservas de sardinha, em 1915, seria provavelmente proveniente do Algarve. A Guerra impôs novas necessidades de mercado, favorecendo o desenvolvimento da indústria conserveira, que passou a ocupar o segundo lugar nas exportações nacionais.

A Guerra e a Indústria Conserveira

 Ana Prata, As Guerras Mundiais e o Sector Conserveiro portimonense, adaptado.