Revolução Soviética afasta Rússia da Guerra

A Grande Guerra agravou as dificuldades económicas e as tensões sociais na Rússia. Este país fazia parte da Tríplice Entente e teve de suportar uma guerra devastadora contra a Alemanha na frente oriental.
As derrotas militares, a fome e as deserções de tropas (só em 1917 foram cerca de um milhão) criaram condições favoráveis para a revolução. Greves e manifestações populares exigiam o fim do czarismo e da guerra. O descontentamento era geral. A burguesia liberal estava desiludida com a incapacidade do czar Nicolau II e do seu governo. Os operários agitavam-se, influenciados pela propaganda socialista.

Soldados russos prisioneiros dos alemãs

Em 23 de fevereiro de 1917 iniciou-se uma grande insurreição em Sampetersburgo. O czar foi forçado a abdicar, formando-se um governo provisório, apoiado por liberais e socialistas moderados. A Rússia passou a ter um regime liberal parlamentar.
A guerra continuava fazendo crescer o descontentamento. Sovietes e bolcheviques contestavam o Governo Provisório, com estes últimos, inspirados no marxismo, a defenderem a tomada do poder pelos trabalhadores. Liderada por Lenine, a oposição ao Governo Provisório centrou-se na desastrosa situação a que a Guerra tinha conduzido a Rússia.

Lenine em plena revolução de outubro

Em 25 de outubro de 1917 os bolcheviques desencadearam uma insurreição armada e tomaram o poder. Foi a revolução de outubro, a primeira revolução sociealista triunfante.

Um em cada seis soldados britânicos era indiano

No âmbito das comemorações do I Centenário da I Guerra Mundial muitos historiadores se têm debruçado sobre inúmeros aspectos da Guerra nunca antes estudados.

Recentemente, estudos têm-se dedicado a avaliar a participação de povos não europeus na Guerra. Uma das conclusões a que se chegou foi que cerca de 1,5 milhões de indianos se voluntariaram para participar na Guerra.

Em concreto, na Grã-Bretanha, um em cada seis soldados era indiano e Sikh, uma religião monoteísta. A exposição Empire, Faith & War: The Sikhs and World War One patente na School of Oriental and African Studies in London no ano passado, demonstrou a forte presença desses homens na Guerra.

Tratados de Paz da I Guerra Mundial

Durante o desenrolar das batalhas nos últimos anos da I Guerra Mundial, alguns tratados de paz foram sendo assinados para possibilitar a saída de alguns países do conflito. O primeiro a ser assinado foi o Tratado de Brest-Litovsk, em 3 de março de 1918, que recebeu o nome da cidade em que foi assinado. O novo governo bolchevique, que havia fundado a República Soviética Russa, entrava em acordo com a Alemanha, encerrando o conflito entre os dois países. No tratado, os russos perderam regiões fornecedoras de carvão e petróleo, além de vários outros territórios na região ocidental, como a Ucrânia e a Finlândia.

A guerra duraria ainda mais alguns meses, terminando a 11 de novembro de 1918, com o cessar-fogo. A Alemanha viu-se sem saída perante as derrotas que o seu exército vinha sofrendo. A partir daí, iniciaram-se as negociações para o estabelecimento da paz entre os países beligerantes.

A primeira tentativa para se chegar a um acordo ocorreu com a iniciativa do governo dos EUA, através da proposta do plano de paz do presidente Woodrow Wilson. Neste plano, chamado de Os 14 pontos de Wilson, os alemães deveriam retirar-se dos territórios ocupados e criariam ainda a Liga das Nações, destinada a impedir novas guerras. Este tratado, aceite pelos alemães, previa uma “paz sem vencedores”.

Mas este não era o objetivo dos demais países da Entente, principalmente a Inglaterra e a França. Reunidos em Versalhes, nos arredores de Paris. Entre janeiro e junho de 1919, os representantes dos países vencedores negociavam as condições do pós-guerra. Inglaterra e França não aceitaram os termos propostos pelo presidente dos EUA para a paz, exigindo que a Alemanha indemnizasse os restantes países pelos danos causados.

O Tratado de Versalhes considerou a Alemanha culpada pela guerra e impôs duras condições para a manutenção da paz. Os alemães deveriam pagar uma indemnização de 30 bilhões de dólares; renunciar às colónias marítimas; ceder à França a região da Alsácia-Lorena, região de grande quantidade de recursos energéticos; reconhecer a independência da Polónia; não poderiam reestruturar as suas Forças Armadas, limitando o seu exército a 100 mil homens, perdendo ainda sua artilharia e aviação, além de não poderem construir navios de guerra. Além disso, o Tratado de Versalhes previa ainda a formação da Liga das Nações, cuja função era a de ser um árbitro dos conflitos internacionais com o objetivo de evitar novas guerras. O projeto não obteve sucesso, pois não contou com importantes países do cenário mundial, como Rússia, EUA e a própria Alemanha.

Estados Unidos combatem ao lado dos Aliados

Os Estados Unidos da América decidiram juntar-se ao conflito. A decisão surge na sequência do ataque de um submarino alemão a um navio britânico inglês de passageiros, o Lusitânia, onde morreram milhares de passageiros, dos quais mais de uma centena eram americanos.

O presidente norte-americano Woodrow Wilson fez o anúncio oficial ontem, dia 3 de fevereiro de 1917, afirmando que as relações com a Alemanha estão oficialmente cortadas.

Até agora a participação americana tinha sido principalmente a nível financeiro e através do fornecimento de armas e mantimentos. O ataque alemão, porém, motivou que os americanos enviassem um grande volume de soldados, tanques, navios e aviões de guerra para que a vitória da Entente seja assegurada. O fim do conflito pode estar para breve.