Paquete vítima de uma epidemia pneumónica, na viagem de Moçambique para Lisboa, a 20 de outubro.
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A sociedade portuguesa em tempos de Guerra
Em tempos de guerra, as sociedades alteram-se profundamente. A emigração, a estabilidade social, o número de habitantes, os nascimentos e óbitos são alguns dos aspetos que mudaram em Portugal entre 1914 e 1918.

O Soldado Desconhecido
“No dia 9 de Abril de 1921 foram conduzidos para o Mosteiro da Batalha, Templo da Pátria, os dois Soldados Desconhecidos, vindos da Flandres e da África Portuguesa representando os gloriosos mortos das expedições enviadas aos referidos teatros de operações e simbolizando o sacrifício heróico do Povo Português.”

Homenagem aos Soldados Desconhecidos, realizada em 10 de Abril de 1921: as mães de soldados mortos na guerra.

Homenagem aos Soldados Desconhecidos, realizada em 10 de Abril de 1921: entrada no Mosteiro da Batalha das 90 bandeiras que escoltaram os caixões dos Soldados Desconhecidos (um vindo da Flandres e o outro de África).

As mulheres cujos filhos estão dados como desaparecidos na guerra. Representando as viúvas, de negro, acompanhando o féretro do soldado morto. Funeral dos Soldados Desconhecidos, Pintura de 1927, Sousa Lopes
Portugueses nas trincheiras

Animais desempenham papel na guerra
Apesar de, por vezes, esquecidos, os animais desempenharam um importante papel na I Guerra Mundial. Transportavam mensagens, cargas e armas. Auxiliavam na construção de estruturas de suporte. Foram companheiros em momentos de solidão e medo, nas trincheiras.

Um cão, conhecido por Sargento Stubby, foi aliás condecorado aquando deste conflito. Foi, inicialmente, a mascote de uma divisão de infantaria. Habituado às linhas da frente, este Boston Bull Terrier alertou soldados em ataques com gás, encontrou soldados feridos e chegou mesmo a capturar um espião alemão.
Houve outros animais que se destacaram. Disso são exemplo os cavalos que, além de terem sido essenciais nos transportes de mercadorias e armamentos, estiveram em pleno combate. Por sua vez, os gatos faziam companhia aos soldados e matavam os ratos que andavam pelas trincheiras. Também os pombos tiveram um papel muito importante, pois transportavam câmaras que registavam pormenores essenciais à tomada de decisões por parte dos generais.
“Damas enfermeiras” apoiaram soldados portugueses em Flandres
Com a entrada de Portugal na 1.ª Guerra Mundial, muitas mulheres portuguesas saíram do país para cuidar dos soldados portugueses. Conhecidas por “Damas Enfermeiras” foram consideradas heroínas, pela disponibilidade que demonstraram.

Em 1916, altura em que o papel da mulher se restringia às tarefas domésticas, muitas portuguesas da alta sociedade quiseram ser enfermeiras voluntárias, tendo por isso sido testemunhas do conflito armado. Maria Francisca Machado, filha do então presidente da República Bernardino Machado, foi “Dama Enfermeira”, tendo servido nos hospitais de campanha do Corpo Expedicionário Português, em Flandres.
Na sequência do apoio das “Damas Enfermeiras” em França, o Governo português criou, em 1918, as escolas de enfermagem de Lisboa e Porto.
Populações locais forçadas a abandonar as suas casas

Trincheiras são ‘sepulturas em vida’
Oficial da 1ª do Corpo Expedicionário Português na I Guerra Mundial descreve a vida nas trincheiras lamacentas em França como “sepulturas em vida”.
As trincheiras são um “labirinto de valas lamacentas”, ligadas por postos que, à noite, se fecham com arames farpados, transformando-se “numa espécie de sepulturas em vida”, descreve o capitão António Joaquim Henriques, que integra a 1ª Divisão do Corpo Expedicionário Português na I Guerra Mundial.

O capitão embarcou aos 28 anos para França como alferes comandante de um pelotão do Regimento de infantaria n.º 28, da Figueira da Foz, e combate desde 26 de Fevereiro nas trincheiras francesas.
Uma das “rotinas” nas trincheiras é a saída para as patrulhas da noite, viagem “ultra tenebrosa em que tantas voltas se dá que a certa altura já não se sabe para que lado fica o inimigo”, explica.
O capitão recorda o dia 13 de Setembro de 1917 em que sete soldados se reuniram em grupo para comerem o seu rancho quando o inimigo resolveu bombardear.
Manifestação contra a Guerra em Mafra
Uma revolta anti‐guerrista no convento de Mafra apelou à adesão de outras unidades para derrubar o governo por este ser a favor da Guerra.
Um oficial de Mafra arrastou consigo parte da unidade de Mafra distribuindo armas a civis e barricando‐se nas instalações do convento. Em seguida, os revoltosos de Mafra acabaram por sair da vila em direcção a Torres Vedras, mas foram interceptados por uma força militar governamental que os disperçou depois de um tiroteio. No seguimento foram saqueados vários jornais da oposição ao Governo por grupos de civis armados.
Portugal alinha-se com a Grã-Bretanha
Perante os recentes acontecimentos do assassinato do herdeiro do trono austríaco, o arquiduque Francisco Fernando, e da sua esposa em Sarajevo, na Bósnia‐herzegovina, e da declaração de guerra pela Áustria à Sérvia, Portugal revelou hoje a sua posição de alinhamento total com a Grã‐Bretanha.
Freire de Andrade, Ministro dos Negócios Estrangeiros, escreve num telegrama para Teixeira Gomes (ministro de Portugal em Londres): “Eventualidade possível guerra muito desejo V. Exª veja Foreign Office sobre nossa atitude visto nossos direitos deveres resultantes tratados com Grã‐Bretanha e visto desde o começo podermos ser considerados pelos adversários como aliados Grã‐Bretanha. Convém obter, sendo possível, quaisquer declarações que possam guiar com segurança nosso procedimento”.
