A 11 de setembro partiu uma primeira expedição para reforçar as colónias em África, que lutaram no noroeste de Moçambique, na fronteira com o Tanganica, e no sudoeste de África, na fronteira com a África Sul ocidental alemã.

A 11 de setembro partiu uma primeira expedição para reforçar as colónias em África, que lutaram no noroeste de Moçambique, na fronteira com o Tanganica, e no sudoeste de África, na fronteira com a África Sul ocidental alemã.


Ontem, dia 7 de agosto de 1914, o Partido Socialista promoveu em Lisboa uma manifestação de apoio aos Aliados.
Foi na Avenida das Cortes, em Lisboa, que se juntaram algumas centenas de pessoas para apoiar a entrada de Portugal na Grande Guerra.
Ao mesmo tempo decorreu o Congresso da República reunido extraordinariamente que definiu que Portugal não faltaria aos compromissos assinados na Aliança Luso-Britânica, também conhecida como Aliança Inglesa, em vigor desde 1373.
As rivalidades presentes em vários estados da Europa levaram diversos países a formar alianças.
O Império Austro-Húngaro juntou-se à Alemanha e à Itália na Tríplice Aliança. Recorde-se que esta aliança já havia sido formada em 20 de Maio de 1882, pela Itália e a Alemanha, e na qual cada uma das nações garantia apoio às demais no caso de algum ataque de duas ou mais potências sobre uma das partes. O objetivo principal era construir uma barreira político-militar que isolasse a França na Europa Ocidental.Como resposta, também a Inglaterra se juntou à França e à Rússia para criarem a Tríplice Entente. Também esta tem antecedentes que remontam a 1894, e resultou de um entendimento entre a França e a Rússia.
Especialistas anteveem que o despoletar do conflito esteja para breve.
No passado dia 28 de junho, pelas 10h45, o herdeiro do trono austro-húngaro foi assassinado em Sarajevo. Francisco Fernando passeava com a mulher na capital da província austro-húngara da Bósnia e Herzegovina quando o ataque se deu. O autor do atentado foi Gavrilo Princip, um jovem de 19 anos, membro da Jovem Bósnia e do grupo terrorista Mão Negra.

Francisco Fernando e a esposa, momentos antes do atentado
O arquiduque foi atingido com um tiro na jugular, enquanto que a esposa, Sofia, foi ferida no abdómen. Quando vários populares chegaram ao local, este ainda se encontrava com vida, mas acabou por não resistir.

Francisco Fernando assassinado em Sarajevo
O arquiduque já tinha sido atacado antes, quando uma granada atingiu o seu carro, mas saiu ileso do ataque porque se conseguiu desviar a tempo. Desta vez, a sua sorte foi diferente. Especialistas temem as repercussões deste assassinato no clima de tensão em que a Europa se encontra.
A 22 de outubro de 1914 foi publicado o Decreto 963 sobre o posicionamento que o regime teria perante os que fossem contra a Guerra.
Devido a uma revolta na unidade de Mafra, o Governo considerou condenável a atitude perante “o estado de guerra em que se encontram algumas nações, e no qual poderemos ter de tomar parte, em virtude de tratados que por todas as formas nos cumpre honrar”.
Tendo isso em conta, ficou estabelecido que os implicados deverão ser submetidos “julgamento sumário” pelos crimes de “traição, espionagem, cobardia, insubordinação, rebelião, saque e devastamento”, sendo criado um tribunal militar próprio para esse fim.
Uma revolta anti-guerrista no convento de Mafra apelou à adesão de outras unidades para derrubar o governo por este ser a favor da Guerra, no dia 20 de outubro.
Um oficial de Mafra arrastou consigo parte da unidade de Mafra distribuindo armas a civis e barricando-se nas instalações do convento. Em seguida, os revoltosos de Mafra acabaram por sair da vila em direção a Torres Vedras, mas foram intercetados por uma força militar governamental que os dispersou depois de um tiroteio. No seguimento foram saqueados vários jornais da oposição ao Governo por grupos de civis armados.
Perante os recentes acontecimentos do assassinato do herdeiro do trono austríaco, o arquiduque Francisco Fernando, e da sua esposa em Sarajevo, na Bósnia Herzegovina, e da declaração de guerra pela Áustria à Sérvia, Portugal revelou hoje a sua posição de alinhamento total com a Grã-Bretanha.

A 23 de novembro o Congresso português decide entrar na Guerra. Fotografia de Benoliel, um dos mais importantes fotógrafos portugueses, publicada na revista Ilustração Portuguesa
Freire de Andrade, Ministro dos Negócios Estrangeiros, escreve num telegrama -para Teixeira Gomes (ministro de Portugal em Londres): “Eventualidade possível guerra muito desejo V. Exª veja Foreign Office sobre nossa atitude visto nossos direitos deveres resultantes tratados com Grã‐Bretanha e visto desde o começo podermos ser considerados pelos adversários como aliados Grã‐Bretanha. Convém obter, sendo possível, quaisquer declarações que possam guiar com segurança nosso procedimento”.
De acordo com o New York Times de 31 de dezembro de 1914, o primeiro Natal da Primeira Grande Guerra ficou marcado por um acontecimento no mínimo insólito. Em “No Man’s Lands” ou “Terras de Ninguém”, espaço entre as fronteiras de tropas inimigas, os homens conviveram amigavelmente, na véspera de Natal de 1914.
O convívio foi para além de algumas inesperadas partidas de futebol, uma vez que para além disso se trocaram alimentos, presentes e se entoaram cânticos de natal. Um momento simbólico que refletiu paz e humanidade no meio de um dos acontecimentos mais mortíferos de sempre.
Os acontecimentos da trégua só agora podem ser relatados devido à censura de imprensa que está em vigor em alguns dos países em guerra. O silêncio foi então quebrado pelo New York Times a 31 de dezembro, seguido pelos jornais britânicos. A 8 de janeiro, foram publicados os primeiros registos fotográficos do episódio pelo jornal The Daily Mirror que divulgou na primeira página fotos de soldados britânicos e alemães a confraternizar numa partida de futebol.