Combate de Negomano

A 25 de novembro de 1917 os alemães surpreenderam as forças portuguesas em Negomano, provocando um verdadeiro massacre.
Morreram 5 oficiais e 14 soldados europeus, assim como 208 soldados africanos, ficando feridos mais de 70, e prisioneiros 550 homens, entre os quais se contavam 31 oficiais que foram libertados posteriormente.
Os alemães comandados pelo General von Lettow-Vorbeck, apresentavam uma força militar de 2.000 homens (300 europeus e 1.700 askaris, isto é, tropas da África oriental e Oriente Médio) e o Major Teixeira Pinto apresentava uma força militar de 1.000 homens (100 europeus e 900 landins, isto é, indígenas moçambicanos).
Esta pesada derrota marcou a mudança na investida militar dos portugueses em África.

Mulheres têm um papel importante na Guerra

Apesar de não estarem nas trincheiras as mulheres têm um papel fundamental no apoio à guerra e na substituição dos homens nas fábricas, o que está a gerar alguma polémica.

Enfermeiras cuidam dos feridos

Enfermeiras cuidam dos feridos

As mulheres estão a deixar os lares para irem para os hospitais, para as fábricas e para os campos. Enfermeiras, condutoras de máquinas e capazes de um papel responsável na organização do trabalho, esta mudança no papel da mulher está a deixar os mais conservadores preocupados com a perda dos valores morais. Para muitos, o lugar da mulher continua a ser em casa mas a mudança social que a Guerra está a trazer dá à mulher um papel muito mais importante na sociedade.

Além disso, o apoio social dados pelas mulheres é fundamental: assistência, beneficência, caridade, criação de ateliers de costura, confeção de agasalhos, recolha de donativos, apoio moral aos soldados com as madrinhas de guerra, visitas aos feridos nos hospitais, são apenas algumas das coisas importantes que as mulheres têm feito pelos combatentes na Guerra.

Hospital militar português situa-se num antigo Casino

O Hospital Militar Português, também denominado Hospital Central de Hendaia, foi instalado pelo Governo Português no antigo Casino de Hendaia.

Este Hospital que auxilia o Corpo Expedicionário Português dispõe de 106 camas, de uma sala de radiografia e outra de operações.

O material hospitalar foi parcialmente adquirido em Portugal, sendo completado com utensílios provenientes do Hospital Militar de Bayonne. Este Hospital servirá como ponto de transição no transporte de doentes e feridos entre França e Portugal.

Revolução Soviética afasta Rússia da Guerra

Ainda 1917 estava no início e a Rússia já demonstrava fragilidades. Ontem, dia 5 de março, o início da Revolução Rússia pela oposição, que culminou com a deposição do czar Nicolau II, foi o início do fim da presença deste país no conflito.

Soldados da Revolução Russa

Soldados da Revolução Russa

Desde o início do conflito europeu que a Rússia tem sido devastada com a crise de abastecimento alimentar nas cidades, que desencadeou uma série de greves e revoltas populares.

As greves em Petrogrado também têm contribuído para que a violência e a confusão nas ruas se tenham vindo a tornar incontroláveis.

Estados Unidos combatem ao lado dos Aliados

Os Estados Unidos da América decidiram juntar-se ao conflito. A decisão surge na sequência do ataque de um submarino alemão a um navio britânico inglês de passageiros, o Lusitânia, onde morreram milhares de passageiros, dos quais mais de uma centena eram americanos.

O presidente norte-americano Woodrow Wilson fez o anúncio oficial ontem, dia 3 de fevereiro de 1917, afirmando que as relações com a Alemanha estão oficialmente cortadas.

Até agora a participação americana tinha sido principalmente a nível financeiro e através do fornecimento de armas e mantimentos. O ataque alemão, porém, motivou que os americanos enviassem um grande volume de soldados, tanques, navios e aviões de guerra para que a vitória da Entente seja assegurada. O fim do conflito pode estar para breve.

Adriano Sousa Lopes é o pintor-soldado

Adriano Sousa Lopes é o pintor oficial do Corpo Expedicionário Português que pediu ao ministro da Guerra para o enviar para a frente de batalha na Flandres.

Adriano Sousa Lopes desenhando na frente de batalha

Adriano Sousa Lopes desenhando na frente de batalha

Nem só de armas vivem os soldados portugueses na Primeira Guerra Mundial, houve quem tivesse levado o cavalete de pintura e travasse uma outra batalha: a de perpetuar  as imagens dos homens das trincheiras e o lado menos heróico da guerra.

Adriano Sousa Lopes, nascido em Vidigal, Leiria, mas a viver em Paris desde 1903, chegou ao norte de França em setembro de 1917 e, apesar de um período inicial de grande frustração por não estar na primeira linha, acabou por conseguir ir para as trincheiras.

Agora, realiza inúmeros desenhos e gravuras a água-forte. Relatos de outros soldados contam que Adriano pinta telas com o cavalete montado na linha da frente, alheio aos rebentamentos de bombas e aos tiros à sua volta.

Civis franceses acusam tropas portuguesas de roubo de comida

Alguns franceses estão a acusar as tropas portuguesas de roubarem frangos das suas capoeiras e legumes e frutas das suas hortas, próximas da zona de acampamento dos soldados portugueses.

Os proprietários de quintas perto dos locais dos acampamentos dos portugueses acusam mesmo os lusitanos de derrubarem de propósito as suas capoeiras para depois levaram frangos para os grelhar, enquanto bebem vinho. Relatos no local indicam que as tropas portuguesas estão fartas de comida enlatada e têm saudades da comida caseira de Portugal. Por sua vez, os soldados portugueses no local acusam os civis franceses de estar a mentir ou a exagerar os factos para receber indemnizações junto do Corpo Expedicionário Português.

Desertor português foi fuzilado

O soldado português João Augusto Ferreira de Almeida foi fuzilado pelas forças portuguesas após ter sido acusado de traição por ter tentado fugir do campo de batalha, passando para terra de ninguém, para procurar um elemento das tropas inimigas alemãs.

João procurava encontrar-se com um alemão que teria sido seu antigo patrão, com quem tinha boas relações. O desertor ainda procurou comprar o silêncio dos camaradas portugueses para passar para campos inimigos, mas acabou por ser denunciado e posteriormente capturado pelos seus superiores. Alguns relatos no local sugerem que quem motivou a condenação por fuzilamento não foram tanto os portugueses mas sim os britânicos que quiseram usar o soldado português para dar o exemplo às tropas britânicas e francesas no local.

Guerra das Trincheiras é ‘sepultura em vida’

António Joaquim Henriques, Oficial da 1ª Divisão do Corpo Expedicionário Português na I Guerra Mundial descreve a vida nas trincheiras lamacentas em França como “sepulturas em vida”.

As trincheiras são um “labirinto de valas lamacentas”, ligadas por postos que, à noite, se fecham com arames farpados, transformando-se “numa espécie de sepulturas em vida”, descreve o capitão António Joaquim Henriques, que integra a 1ª Divisão do Corpo Expedicionário Português na I Guerra Mundial.

Capitão António Joaquim Henriques

O capitão embarcou aos 28 anos para França como alferes comandante de um pelotão do Regimento de infantaria n.º 28, da Figueira da Foz, e combate desde 26 de fevereiro nas trincheiras francesas.

Uma das “rotinas” nas trincheiras é a saída para as patrulhas da noite, viagem “ultra tenebrosa em que tantas voltas se dá que a certa altura já não se sabe para que lado fica o inimigo”, explica.

O capitão recorda o dia 13 de Setembro de 1917 em que sete soldados se reuniram em grupo para comerem o seu rancho quando o inimigo resolveu bombardear.