Desfile da Vitória

Em Paris, um contingente de 150 soldados do Corpo Expedicionário Português, integrado nas forças aliadas do marechal Foch, desfilou na Place de L’Etoile sob o comando do Major de Infantaria Ribeiro de Carvalho.
Em Portugal, na Avenida da Liberdade, junto ao Condes, a multidão assistiu também ao Desfile da Vitória.

Em Bruxelas um contingente do Corpo Expedicionário Português, integrado no desfile das forças aliadas sob o comando do Major de Infantaria André Brun, comemoru também o fim da Guerra. A este histórico evento, assistiram na Tribuna de Honra, o Rei Alberto da Bélgica e o Rei D. Manuel II (no exílio), entre outras entidades.

Jogos Inter-Aliados celebram o fim da guerra

Vão decorrer os Jogos Inter-aliados, também chamados de ‘Olimpíadas Pershing’ em Joinville, nos subúrbios de Paris, entre 22 de junho e 6 de julho.

Este evento desportivo organizado sob o comando do General John J. Pershing, comandante das forças norte-americanas na Europa, vai decorrer dois meses depois do final da I Guerra Mundial.

Dirigido aos militares que participaram na Guerra ou que serviram as forças militares dos países aliados, contará com dezoito nações oriundas dos cinco continentes.

Portugal irá participar com 51 atletas nas modalidades de esgrima, natação, pólo-aquático, remo e tiro.

Criada Comissão de Assistência às mulheres dos mobilizados

A partida dos soldados portugueses para a Guerra está a deixar muitas mulheres sem amparo. Para as auxiliar, a Cruzada das Mulheres Portuguesas criou a Comissão de Assistência às mulheres e famílias dos militares mobilizados.

Nas “Casas de Trabalho”, nas quais as mulheres e viúvas podem usufruir de uma formação profissional para melhorar a sua situação laboral. Recorde-se que, antes da Guerra, muitas mulheres apenas faziam o trabalho doméstico não tendo qualquer hábito de trabalho nem nas fábricas nem na agricultura, por exemplo.

Alemanha e Aliados assinam Armistício

As notícias chegam-nos de Compiègne. Hoje, dia 11 de novembro de 1918, a Alemanha e os Aliados assinaram o Armistício para encerrar as hostilidades na frente ocidental da Primeira Guerra Mundial. O momento histórico teve lugar num vagão-restaurante, na floresta de Compiègne.

The New York Times noticia armistício

The New York Times noticia armistício

O Marechal Ferdinand Foch, comandante-em-chefe das forças da Tríplice Entente, e Matthias Erzberger, representante alemão, foram os responsáveis pela assinatura do documento.

A Europa apresenta assim os primeiros sinais de um clima de paz.

Os efeitos da derrota em La Lys

Um dos maiores desastres militares portugueses aconteceu a 9 de abril de 1918, num confronto militar entre forças portuguesas e alemãs. Nesta batalha próxima da região da Flandres, Bélgica registaram-se cerca de 9000 perdas entre mortos, feridos e prisioneiros do Corpo Expedicionário Português (CEP).

Fotografia com milhares de portugueses feitos prisioneiros na batalha de La-Lys em 1918

Fotografia com milhares de portugueses feitos prisioneiros na batalha de La-Lys em 1918

O insucesso desta batalha, que marcou negativamente a participação portuguesa na I Grande Guerra, explica-se pela supremacia alemã em termos de número de efetivos e de tecnologia militar.

Ao mesmo tempo, a baixa moral do exército português, fruto do retorno a terras lusas de alguns oficiais com experiência militar, deixou também a sua marca.

Paralelamente, o retrocesso das tropas britânicas, que inicialmente iriam alinhar lado a lado com o CEP, deixou os militares lusitanos mais expostos perante a imponente ofensiva alemã.

O desfecho da batalha era já esperado pelos oficiais responsáveis pelo CEP, General Gomes da Costa e General Sinel de Cordes, tendo sido por várias vezes comunicado ao governo português o eventual resultado da batalha.

Soldado telegrafista português conta como foi a Batalha de La Lys

A 9 de abril de 1918 as tropas portuguesas defrontaram-se na região da Flandres, no vale da ribeira de La Lys, sofrendo uma pesada derrota contra os alemães, que ceifou a vida a muitos jovens portugueses.

João Francisco Rosa, soldado-telegrafista português, um dos sobreviventes da batalha acredita que só está vivo “devido à proteção divina”, conta. Recorda que saiu da pequena caverna onde estava escondido apenas com o que tinha no corpo, sem ter podido salvar nada.

Neste momento não sabe do paradeiro de muitos dos seus colegas que julga terem perdido a vida.

João Francisco Rosa antes de partir para França