Alemanha declara Guerra a Portugal

O primeiro passo para o envolvimento oficial de Portugal na I Guerra Mundial, contra as forças alemãs e do Império Austro-Húngaro, tinha sido dado no início de Fevereiro de 1916. No dia sete desse mês, o Governo republicano publicou uma lei onde, entre outros aspectos, ficava estabelecido que poderia requisitar, “em qualquer ocasião”, as “matérias-primas e os meios de transporte que forem indispensáveis à defesa ou economia nacional, que se encontrem nos domínios da República”.

No dia 23 foi dado o segundo passo, com a entrada a bordo nos navios alemães ancorados em Lisboa. Na mão, os emissários portugueses levavam uma carta pró-forma de notificação da requisição dos navios, com base numa lei publicada nesse mesmo dia. Esta alegava que a requisição se tornara necessária devido à falta de navios para transporte marítimo, o que dificultava o acesso do país a muitos produtos indispensáveis para a subsistência da população (facto que já dera origem a vários distúrbios em diversas localidades). De acordo com nova lei, que conta com a assinatura de Bernardino Machado (presidente) e Afonso Costa (chefe do Governo), caberia ao Ministério da Marinha avaliar os navios e todos os seus pertences.

O vapor “Cisne”, junto de um vapor alemão, conduzindo as forças da marinha que tomaram posse dos navios alemães, Março de 1916

Ao todo, foram apreendidos 72 navios e respectivas cargas, espalhados por todos os territórios portugueses, como Angola e Moçambique , mas com destaque para Lisboa (onde estavam mais de metade). No Porto, por exemplo, estava apenas uma embarcação, o Vesta. Diversos vapores precisaram de reparações, já que, embora sem incidentes, o processo de requisição confrontou-se com peças escondidas ou danificadas pelas tripulações alemãs.

Jogos Olímpicos de 1916 cancelados

A organização dos VI Jogos Olímpicos, em 1916, foi atribuída à cidade alemã de Berlim para demonstrar o poderio do império alemão liderado pelo Kaiser Guilherme II. Todavia, o quadriénio olímpico não pôde ser respeitado devido ao eclodir da Primeira Guerra Mundial, que envolveu 28 países, obrigando à anulação dos Jogos marcados para Berlim.

Apesar disso, foi possível reunir na Sorbonne, em Paris, os representantes dos países beligerantes e celebrar, olimpicamente, o vigésimo aniversário do Comité Olímpico Internacional, até porque se antevia uma guerra de curta duração. O prolongar do conflito obrigou ao cancelamento dos Jogos, apesar de Guilherme II ter tentado, em vão, uma trégua olímpica que permitisse a realização do evento em duas semanas.

E assim, o então recentemente inaugurado estádio de Berlim deu lugar às trincheiras da guerra. Mesmo sem se terem concretizado, as Olimpíadas de 1916 fazem parte da listagem oficial dos Jogos Olímpicos, que continuam a ser regulados por um ciclo de quatro anos entre cada edição. Dois anos depois do fim da Primeira Grande Guerra, o ciclo olímpico foi retomado com a organização dos VII Jogos Olímpicos da Era Moderna na cidade belga de Antuérpia e para os quais não foram convidadas a Alemanha e a Áustria, nações derrotadas pelos Aliados.

Jogos Olímpicos cancelados

A edição deste ano dos Jogos Olímpicos, que deveria decorrer na Alemanha, acaba de ser cancelada devido à Guerra.

Inauguração do Estádio Olímpico em Berlim em 8 de junho de 1913

Inauguração do Estádio Olímpico em Berlim em 8 de junho de 1913

Desde a Grécia Antiga que os homens celebram a atividade física numa competição que inclui inúmeras modalidades. Desde 1896 os jogos Olímpicos da Era Moderna foram retomados em Atenas e decorrem de 4 em 4 anos. A última edição, em 1912, decorreu em Estocolmo, na Suécia, e Portugal esteve representado.

A edição deste ano, prevista para Berlim, na Alemanha, não pode acontecer devido ao envolvimento na Grande Guerra, apesar de o Estado Olímpico ter chegado a ser inaugurado.

Alemanha e Aliados assinam Armistício

As notícias chegam-nos de Compiègne. Hoje, dia 11 de novembro de 1918, a Alemanha e os Aliados assinaram o Armistício para encerrar as hostilidades na frente ocidental da Primeira Guerra Mundial. O momento histórico teve lugar num vagão-restaurante, na floresta de Compiègne.

The New York Times noticia armistício

The New York Times noticia armistício

O Marechal Ferdinand Foch, comandante-em-chefe das forças da Tríplice Entente, e Matthias Erzberger, representante alemão, foram os responsáveis pela assinatura do documento.

A Europa apresenta assim os primeiros sinais de um clima de paz.

Portugal junta-se à 1ª Guerra Mundial

Foi no passado dia 17 de fevereiro de 1916 que Portugal se juntou oficialmente ao conflito. Após a Grã-Bretanha ter utilizado o tratado de Windsor para pedir ao país que capturasse os navios alemães em portos portugueses, para ajudar no esforço de guerra, foi oficializada a decisão.

Representação de Portugal na frente de batalha

Representação de Portugal na frente de batalha

Relembre-se que a guerra no Atlântico tem atingido um ponto preocupante, com submarinos alemães a destruir muitos dos navios mercantes britânicos, ameaçando a linha vital de abastecimentos que vem das possessões coloniais até às ilhas britânicas. Ao todo, para enfrentar esta solução, os portos portugueses já conseguiram aprisionar 72 navios, que pertencem na maioria ao Império Alemão e e Austro-Húngaro.

Europa é palco de alianças

As rivalidades presentes em vários estados da Europa levaram diversos países a formar alianças.

O Império Austro-Húngaro juntou-se à Alemanha e à Itália na Tríplice Aliança. Recorde-se que esta aliança já havia sido formada em 20 de Maio de 1882, pela Itália e a Alemanha, e na qual cada uma das nações garantia apoio às demais no caso de algum ataque de duas ou mais potências sobre uma das partes. O objetivo principal era construir uma barreira político-militar que isolasse a França na Europa Ocidental.Como resposta, também a Inglaterra se juntou à França e à Rússia para criarem a Tríplice Entente. Também esta tem antecedentes que remontam a 1894, e resultou de um entendimento entre a França e a Rússia.

Especialistas anteveem que o despoletar do conflito esteja para breve.