Paris é refúgio para os artistas

A capital francesa tornou-se um autêntico refúgio para artistas que não querem combater na Grande Guerra e querem prosseguir com a sua arte.

Amadeo de Souza-Cardoso, Santa-Rita Pintor, Eduardo Viana, Manuel Jardim, Francisco Smith, Emmérico Nunes, Domingos Rebelo, Manuel Bentes ou os irmãos Henrique e Francisco Franco são alguns dos nomes da vanguarda artística portuguesa a viver em Paris.

Amadeu de Souza-Cardoso

Mário de Sá-Carneiro tem escrito vários textos sobre a guerra e troca correspondência com Fernando Pessoa sobre a degradação vivida pelos portugueses no conflito.

Os efeitos da derrota em La Lys

Um dos maiores desastres militares portugueses aconteceu a 9 de abril de 1918, num confronto militar entre forças portuguesas e alemãs. Nesta batalha próxima da região da Flandres, Bélgica registaram-se cerca de 9000 perdas entre mortos, feridos e prisioneiros do Corpo Expedicionário Português (CEP).

Fotografia com milhares de portugueses feitos prisioneiros na batalha de La-Lys em 1918

Fotografia com milhares de portugueses feitos prisioneiros na batalha de La-Lys em 1918

O insucesso desta batalha, que marcou negativamente a participação portuguesa na I Grande Guerra, explica-se pela supremacia alemã em termos de número de efetivos e de tecnologia militar.

Ao mesmo tempo, a baixa moral do exército português, fruto do retorno a terras lusas de alguns oficiais com experiência militar, deixou também a sua marca.

Paralelamente, o retrocesso das tropas britânicas, que inicialmente iriam alinhar lado a lado com o CEP, deixou os militares lusitanos mais expostos perante a imponente ofensiva alemã.

O desfecho da batalha era já esperado pelos oficiais responsáveis pelo CEP, General Gomes da Costa e General Sinel de Cordes, tendo sido por várias vezes comunicado ao governo português o eventual resultado da batalha.

Soldado telegrafista português conta como foi a Batalha de La Lys

A 9 de abril de 1918 as tropas portuguesas defrontaram-se na região da Flandres, no vale da ribeira de La Lys, sofrendo uma pesada derrota contra os alemães, que ceifou a vida a muitos jovens portugueses.

João Francisco Rosa, soldado-telegrafista português, um dos sobreviventes da batalha acredita que só está vivo “devido à proteção divina”, conta. Recorda que saiu da pequena caverna onde estava escondido apenas com o que tinha no corpo, sem ter podido salvar nada.

Neste momento não sabe do paradeiro de muitos dos seus colegas que julga terem perdido a vida.

João Francisco Rosa antes de partir para França