Ciclismo e a Guerra

Coincidiu com o assassinato de Francisco Fernando o arranque da 12ª edição do Tour de France, uma das maiores provas de ciclismo. Nesse ano a competição acabou por ser suspensa regressando apenas em 1919.
Também em Portugal, onde este desporto vinha ganhando cada vez mais destaque, as competições foram interrompidas. A mais importante, a Clássica Porto-Lisboa, realizou-se pela primeira vez em 1911 mas também veio a ser interrompida. Alguns dos desportistas vieram a integrar o Grupo de Companhias de Ciclistas do Corpo Expedicionário Português (CEP).

Desfile da Vitória

Em Paris, um contingente de 150 soldados do Corpo Expedicionário Português, integrado nas forças aliadas do marechal Foch, desfilou na Place de L’Etoile sob o comando do Major de Infantaria Ribeiro de Carvalho.
Em Portugal, na Avenida da Liberdade, junto ao Condes, a multidão assistiu também ao Desfile da Vitória.

Em Bruxelas um contingente do Corpo Expedicionário Português, integrado no desfile das forças aliadas sob o comando do Major de Infantaria André Brun, comemoru também o fim da Guerra. A este histórico evento, assistiram na Tribuna de Honra, o Rei Alberto da Bélgica e o Rei D. Manuel II (no exílio), entre outras entidades.

Cristiano Cruz: a tragédia e a angústia na pintura

Cristiano Cruz foi um reconhecido humorista português que em 1917 partiu para França incorporado no Corpo Expedicionário Português. No cenário de guerra realizou um conjunto de obras temáticas relacionadas com a guerra, regra geral em pequena escala.

Este guache terá sido executado em França durante a guerra para onde o artista havia sido mobilizado. O traço negro, a forma quebrada e angulosa dão uma ideia de intensidade e agressividade. À direita, uma explosão. A reacção: um soldado de braços abertos é atirado para o chão.

Limitando-se sempre aos formatos reduzidos, estes trabalhos são a sua contribuição mais importante para uma via expressionista.

Trincheiras são ‘sepulturas em vida’

Oficial da 1ª do Corpo Expedicionário Português na I Guerra Mundial descreve a vida nas trincheiras lamacentas em França como “sepulturas em vida”.

As trincheiras são um “labirinto de valas lamacentas”, ligadas por postos que, à noite, se fecham com arames farpados, transformando-se “numa espécie de sepulturas em vida”, descreve o capitão António Joaquim Henriques, que integra a 1ª Divisão do Corpo Expedicionário Português na I Guerra Mundial.

O capitão embarcou aos 28 anos para França como alferes comandante de um pelotão do Regimento de infantaria n.º 28, da Figueira da Foz, e combate desde 26 de Fevereiro nas trincheiras francesas.

Uma das “rotinas” nas trincheiras é a saída para as patrulhas da noite, viagem “ultra tenebrosa em que tantas voltas se dá que a certa altura já não se sabe para que lado fica o inimigo”, explica.

O capitão recorda o dia 13 de Setembro de 1917 em que sete soldados se reuniram em grupo para comerem o seu rancho quando o inimigo resolveu bombardear.

Portugal sai derrotado da Batalha de La-Lys

Um dos maiores desastres militares portugueses aconteceu a 9 de abril de 1918, num confronto militar entre forças portuguesas e alemãs. Nesta batalha próxima da região da Flandres, Bélgica registaram-se cerca de 9000 perdas entre mortos, feridos e prisioneiros do Corpo Expedicionário Português (CEP).

O insucesso desta batalha que marcou negativamente a participação portuguesa na I Grande Guerra explica-se pela supremacia alemã em termos de número de militares e de tecnologia militar. Ao mesmo tempo a baixa moral do exército português fruto do retorno a terras lusas de alguns oficiais com experiência militar, deixou também a sua marca.

Paralelamente o retrocesso das tropas britânicas, que inicialmente iriam alinhar lado a lado com o CEP, deixou os militares lusitanos mais expostos perante a imponente ofensiva alemã.

O desfecho da batalha era já esperado pelos oficiais responsáveis pelo CEP, General Gomes da Costa e General Sinel de Cordes, tendo sido por várias vezes comunicado ao governo português o eventual resultado da batalha.