Em tempos de guerra, as sociedades alteram-se profundamente. A emigração, a estabilidade social, o número de habitantes, os nascimentos e óbitos são alguns dos aspetos que mudaram em Portugal entre 1914 e 1918.

Em tempos de guerra, as sociedades alteram-se profundamente. A emigração, a estabilidade social, o número de habitantes, os nascimentos e óbitos são alguns dos aspetos que mudaram em Portugal entre 1914 e 1918.



Cristiano Cruz foi um reconhecido humorista português que em 1917 partiu para França incorporado no Corpo Expedicionário Português. No cenário de guerra realizou um conjunto de obras temáticas relacionadas com a guerra, regra geral em pequena escala.

Este guache terá sido executado em França durante a guerra para onde o artista havia sido mobilizado. O traço negro, a forma quebrada e angulosa dão uma ideia de intensidade e agressividade. À direita, uma explosão. A reacção: um soldado de braços abertos é atirado para o chão.
Limitando-se sempre aos formatos reduzidos, estes trabalhos são a sua contribuição mais importante para uma via expressionista.
Oficial da 1ª do Corpo Expedicionário Português na I Guerra Mundial descreve a vida nas trincheiras lamacentas em França como “sepulturas em vida”.
As trincheiras são um “labirinto de valas lamacentas”, ligadas por postos que, à noite, se fecham com arames farpados, transformando-se “numa espécie de sepulturas em vida”, descreve o capitão António Joaquim Henriques, que integra a 1ª Divisão do Corpo Expedicionário Português na I Guerra Mundial.

O capitão embarcou aos 28 anos para França como alferes comandante de um pelotão do Regimento de infantaria n.º 28, da Figueira da Foz, e combate desde 26 de Fevereiro nas trincheiras francesas.
Uma das “rotinas” nas trincheiras é a saída para as patrulhas da noite, viagem “ultra tenebrosa em que tantas voltas se dá que a certa altura já não se sabe para que lado fica o inimigo”, explica.
O capitão recorda o dia 13 de Setembro de 1917 em que sete soldados se reuniram em grupo para comerem o seu rancho quando o inimigo resolveu bombardear.
Um dos maiores desastres militares portugueses aconteceu a 9 de abril de 1918, num confronto militar entre forças portuguesas e alemãs. Nesta batalha próxima da região da Flandres, Bélgica registaram-se cerca de 9000 perdas entre mortos, feridos e prisioneiros do Corpo Expedicionário Português (CEP).

O insucesso desta batalha que marcou negativamente a participação portuguesa na I Grande Guerra explica-se pela supremacia alemã em termos de número de militares e de tecnologia militar. Ao mesmo tempo a baixa moral do exército português fruto do retorno a terras lusas de alguns oficiais com experiência militar, deixou também a sua marca.
Paralelamente o retrocesso das tropas britânicas, que inicialmente iriam alinhar lado a lado com o CEP, deixou os militares lusitanos mais expostos perante a imponente ofensiva alemã.
O desfecho da batalha era já esperado pelos oficiais responsáveis pelo CEP, General Gomes da Costa e General Sinel de Cordes, tendo sido por várias vezes comunicado ao governo português o eventual resultado da batalha.