Portugal é autorizado a participar na guerra

Em reunião extraordinária do Congresso da República o governo é autorizado a participar na guerra ao lado da Grã-Bretanha.

Aconteceu o que muitos desejavam e outros temiam. Em nome da velha Aliança que une Portugal à Grã-Bretanha o Congresso reuniu-se e deliberou que Portugal pode participar na Guerra. É assumido, desde logo, o compromisso de entregar 20.000 espingardas com 600 cartuchos cada uma e 56 peças de artilharia pedidas pelo governo britânico.

Uma vez que estamos no final do ano, aguardam-se as novidades que 1916 trarão sobre o envolvimento de Portugal.

Um em cada seis soldados britânicos era indiano

No âmbito das comemorações do I Centenário da I Guerra Mundial muitos historiadores se têm debruçado sobre inúmeros aspectos da Guerra nunca antes estudados.

Recentemente, estudos têm-se dedicado a avaliar a participação de povos não europeus na Guerra. Uma das conclusões a que se chegou foi que cerca de 1,5 milhões de indianos se voluntariaram para participar na Guerra.

Em concreto, na Grã-Bretanha, um em cada seis soldados era indiano e Sikh, uma religião monoteísta. A exposição Empire, Faith & War: The Sikhs and World War One patente na School of Oriental and African Studies in London no ano passado, demonstrou a forte presença desses homens na Guerra.

Portugal alinha-se com a Grã-Bretanha

Perante os recentes acontecimentos do assassinato do herdeiro do trono austríaco, o arquiduque Francisco Fernando, e da sua esposa em Sarajevo, na Bósnia‐herzegovina, e da declaração de guerra pela Áustria à Sérvia, Portugal revelou hoje a sua posição de alinhamento total com a Grã‐Bretanha.

Freire de Andrade, Ministro dos Negócios Estrangeiros, escreve num telegrama para Teixeira Gomes (ministro de Portugal em Londres): “Eventualidade possível guerra muito desejo V. Exª veja Foreign Office sobre nossa atitude visto nossos direitos deveres resultantes tratados com Grã‐Bretanha e visto desde o começo podermos ser considerados pelos adversários como aliados Grã‐Bretanha. Convém obter, sendo possível, quaisquer declarações que possam guiar com segurança nosso procedimento”.

A 23 de novembro o Congresso português decide entrar na Guerra. Fotografia de Benoliel, um dos mais importantes fotógrafos portugueses, publicada na revista Ilustração Portuguesa.

A 23 de novembro o Congresso português decide entrar na Guerra. Fotografia de Benoliel, um dos mais importantes fotógrafos portugueses, publicada na revista Ilustração Portuguesa.

Europa é palco de alianças

As rivalidades presentes em vários estados da Europa levaram diversos países a formar alianças.

O Império Austro-Húngaro juntou-se à Alemanha e à Itália na Tríplice Aliança. Recorde-se que esta aliança já havia sido formada em 20 de Maio de 1882, pela Itália e a Alemanha, e na qual cada uma das nações garantia apoio às demais no caso de algum ataque de duas ou mais potências sobre uma das partes. O objetivo principal era construir uma barreira político-militar que isolasse a França na Europa Ocidental.Como resposta, também a Inglaterra se juntou à França e à Rússia para criarem a Tríplice Entente. Também esta tem antecedentes que remontam a 1894, e resultou de um entendimento entre a França e a Rússia.

Especialistas anteveem que o despoletar do conflito esteja para breve.

Portugal alinha-se com a Grã-Bretanha

Perante os recentes acontecimentos do assassinato do herdeiro do trono austríaco, o arquiduque Francisco Fernando, e da sua esposa em Sarajevo, na Bósnia Herzegovina, e da declaração de guerra pela Áustria à Sérvia, Portugal revelou hoje a sua posição de alinhamento total com a Grã-Bretanha.

A 23 de novembro o Congresso português decide entrar na Guerra. Fotografia de Benoliel, um dos mais importantes fotógrafos portugueses, publicada na revista Ilustração Portuguesa

A 23 de novembro o Congresso português decide entrar na Guerra. Fotografia de Benoliel, um dos mais importantes fotógrafos portugueses, publicada na revista Ilustração Portuguesa

Freire de Andrade, Ministro dos Negócios Estrangeiros, escreve num telegrama -para Teixeira Gomes (ministro de Portugal em Londres): “Eventualidade possível guerra muito desejo V. Exª veja Foreign Office sobre nossa atitude visto nossos direitos deveres resultantes tratados com Grã‐Bretanha e visto desde o começo podermos ser considerados pelos adversários como aliados Grã‐Bretanha. Convém obter, sendo possível, quaisquer declarações que possam guiar com segurança nosso procedimento”.