‘Pausa’ na Guerra para o Natal

Este ano, pela segunda vez desde o início da Guerra surgiu de forma espontânea uma “trégua” de Natal na Frente Ocidental.

Em vários pontos, os soldados saíram das trincheiras e confraternizaram na terra de ninguém durante umas horas em que a guerra foi “congelada”. Os Estados-Maiores de ambos os lados tomam medidas para que estas atitudes não se repitam futuramente. A trégua de 1915 teve menor dimensão que a de 1914.

Guerra das Trincheiras é ‘sepultura em vida’

António Joaquim Henriques, Oficial da 1ª Divisão do Corpo Expedicionário Português na I Guerra Mundial descreve a vida nas trincheiras lamacentas em França como “sepulturas em vida”.

As trincheiras são um “labirinto de valas lamacentas”, ligadas por postos que, à noite, se fecham com arames farpados, transformando-se “numa espécie de sepulturas em vida”, descreve o capitão António Joaquim Henriques, que integra a 1ª Divisão do Corpo Expedicionário Português na I Guerra Mundial.

Capitão António Joaquim Henriques

O capitão embarcou aos 28 anos para França como alferes comandante de um pelotão do Regimento de infantaria n.º 28, da Figueira da Foz, e combate desde 26 de fevereiro nas trincheiras francesas.

Uma das “rotinas” nas trincheiras é a saída para as patrulhas da noite, viagem “ultra tenebrosa em que tantas voltas se dá que a certa altura já não se sabe para que lado fica o inimigo”, explica.

O capitão recorda o dia 13 de Setembro de 1917 em que sete soldados se reuniram em grupo para comerem o seu rancho quando o inimigo resolveu bombardear.

Introduzidas novas técnicas militares

Um dos acontecimentos que mais tem marcado a guerra mundial que a Europa vive neste momento, tem sido a introdução de novas técnicas militares muito mais mortíferas que as utilizadas no século XIX.

Fotografia que mostra Soldados do Corpo Expedicionário Português (CEP) junto da sua «sereia» ou «siren» nas trincheiras, um dispositivo de alerta que emite um sinal sonoro forte e que alertava os militares para a presença de gases asfixiantes

Fotografia que mostra Soldados do Corpo Expedicionário Português (CEP) junto da sua «sereia» ou «siren» nas trincheiras, um dispositivo de alerta que emite um sinal sonoro forte e que alertava os militares para a presença de gases asfixiantes

O deflagrar do conflito armado entre nações na I Grande Guerra está a ser marcado pela inovação a nível de estratégia militar e inovações tácticas e tecnológicas.

Avanços tecnológicos como o reconhecimento aéreo, novas técnicas de artilharia, gases venenosos, a utilização do automóvel e dos primeiros tanques, assim como do telefone e do rádio, têm tido uma forte influência nas estratégias de guerra dos países envolvidos.

Uma técnica inovadora que também se está a adotar é a chamada “Guerra das Trincheiras” que permite às tropas avançar no terreno do inimigo e marcar a sua posição.