Futebol “ajuda” na Guerra

Tendo já um papel importante na sociedade inglesa desde finais do século XIX, o futebol revelou-se um excelente treino de preparação para a Guerra: treino físico, espírito de equipa, disciplina, moral.

Não é por acaso que as metáforas de guerra são utilizadas na gíria futebolística. Em termos estratégicos joga-se “à defesa” ou “ao ataque” contra o adversário que é o “inimigo” e disputa-se a vitória ou derrota no “campo de batalha”. Marcar golos é ter “boa pontaria”, mandar um “tiro certeiro” ou “fuzilar” as redes do adversário.

Esta ligação entre futebol e guerra vai além da semântica. Na verdade, o futebol teve também muita importância em termos militares no decurso da I Guerra Mundial.

Futebol feminino na Guerra

A I Guerra Mundial foi a chave para o crescimento do futebol feminino em Inglaterra. Como muitos homens foram para o campo de batalha, a mulher entrou no mercado de trabalho e eram muitas fábricas que tinham as suas próprias equipas de futebol, algo que até então era privilégio dos homens.

O futebol serviu, assim, para quebrar barreiras sociais e se as mulheres passavam a ocupar cada vez mais os lugares dos homens nas indústrias. A produção de itens bélicos essenciais intensificou-se a partir de 1914, graças à força das mulheres que participavam na produção de munições, equipamentos de guerra, navios, roupas especiais e mantimentos. Da mesma forma como foram absorvidas por trabalhos praticamente exclusivos aos homens, também puderam experimentar um desporto até então masculino.

O grande salto do futebol feminino aconteceu em 1917. Naquele ano, nasceu a Challenge Cup, conhecida também como Munitionettes’ Cup, por envolver as trabalhadoras da indústria de munições. Nete jogo, 22 mil pessoas assistiram à vitória do Blyth Spartans sobre o Teeside por 5 a 0, um jogo realizado no Ayresome Park, o estádio do Middlesbrough. Entre as estrelas da equipa estavam Bella Reay, marcadora de mais de 130 golos naquela campanha, e Jennie Morgan, que foi diretamente do seu casamento para um jogo onde marcou dois golos.

Jogadores de futebol também foram à Guerra

Durante a I Guerra Mundial, o exército britânico criou batalhões compostos por futebolistas profissionais. Os desportistas seriam os homens fisicamente mais aptos da nação e teriam obrigatoriamente de se juntar ao esforço de guerra.

Muitos futebolistas trocaram o campo de futebol pelo campo de batalha e integraram os chamados Batalhões de Futebol do exército britânico. Além de fisicamente melhor preparados e, por isso, mais aptos para o confronto, a incorporação de jogadores de futebol servia também de ferramenta de propaganda e recrutamento, uma vez que seriam seguidos como um exemplo e arrastariam os adeptos dos clubes onde jogavam para o campo de batalha. “Venham ao jogo mais importante, juntem-se ao Batalhão do Futebol”, exortava um cartaz de recrutamento.

Terão morrido 213 futebolistas profissionais ingleses durante o conflito.