Cristiano Cruz: a tragédia e a angústia na pintura

Cristiano Cruz foi um reconhecido humorista português que em 1917 partiu para França incorporado no Corpo Expedicionário Português. No cenário de guerra realizou um conjunto de obras temáticas relacionadas com a guerra, regra geral em pequena escala.

Este guache terá sido executado em França durante a guerra para onde o artista havia sido mobilizado. O traço negro, a forma quebrada e angulosa dão uma ideia de intensidade e agressividade. À direita, uma explosão. A reacção: um soldado de braços abertos é atirado para o chão.

Limitando-se sempre aos formatos reduzidos, estes trabalhos são a sua contribuição mais importante para uma via expressionista.

Adriano Sousa Lopes: Um pintor nas trincheiras

Nascido em Vidigal, no concelho de Leiria, o pintor vivia em Paris desde 1903, para onde fora estudar como pensionista do Estado no estrangeiro, e, desde Agosto de 1914, assiste à mobilização geral que a guerra provoca na sociedade francesa. Chega a voluntariar-se como enfermeiro nos hospitais militares da cidade, onde realiza apontamentos que grava a água-forte.

Mas o ano de 1917 é um momento-chave na carreira: a sua primeira exposição individual é um sucesso de crítica e de público, patente desde Janeiro na Sociedade Nacional de Belas-Artes, em Lisboa. O Presidente da República Bernardino Machado visita a exposição e adquire vários trabalhos. O jornal O Século chega a noticiar o roubo de um quadro durante a exposição, uma das inúmeras vistas pintadas em Veneza.